A frescura da água encheu-lhe todos os poros da pele. A água mágica do
lago. Os dedos enegrecidos apertaram a terra molhada e a sensação devolveu-lhe
o alento ao peito, o bater ao coração, o calor ao corpo. Ainda estava vivo…
Teria de ser muito forte para continuar vivo. Aquela era a mais dura
prova que enfrentava na sua curta vida. Não podia falhar, pois dele dependia
tanta coisa.
Rastejara até ali. Devagar, como uma vulgar lesma. Ninguém se
apercebera que fugia, o que queria dizer que a sorte o acompanhava. Estava destinado
a viver. Ele que já tinha abraçado a morte, desiludido com os acontecimentos.
O sol desaparecia por detrás da floresta. O dia acabava, mas ele não
estava acabado. Haveria de regressar e haveria de derrotar o ímpio.
Terrivelmente ferido, as energias num perigoso mínimo, nem soube como
se conseguiu pôr de pé. Pediu mais um esforço. Pelo menos, que os passos o
levassem para longe do Templo da Lua e de Zephir.
Sobreviver.
Os olhos focaram o caminho que descia até à orla das árvores. Acreditava
no futuro, numa hipótese de vitória.
E, apoiado nessa fé, Toynara partiu.
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