Bra detestava arrumações e fazia a tarefa contrariada, mas tinha tantos
brinquedos que chegava uma altura em que precisava de os enfiar nas caixas,
gavetas, estantes e arcas que a mãe colocava no quarto para que ela desse
alguma ordem às suas tralhas. Ordens inegociáveis de Bulma. Coisa que Bra não
compreendia inteiramente, pois a mãe não era lá muito organizada e também tinha
os seus brinquedos – máquinas, computadores, aparelhos, ferramentas e peças
sobressalentes – espalhados de forma caótica pela oficina.
Um toque no vidro da janela sobressaltou-a. Voltou-se e o seu espanto
foi maior quando descobriu Pan, a flutuar do lado de fora, a chamá-la com
acenos agitados. Apressou-se a abrir a janela, exclamando:
- Pan-chan! O que fazes aqui?
- Olá, Bra. Vai vestir o teu dogi.
Temos de ir embora.
- Nani?
- Vai, despacha-te!
A ordem de Pan era como a da mãe – inegociável – e Bra foi fazer
depressa o que a amiga lhe pedia. Enquanto dava o nó no cinto preto sobre a
túnica verde perguntou:
- Vamos treinar?
- Não. Vamos combater!
Bra gaguejou incrédula:
- Com-combater?!!
- Hai.
- Contra quem?
- Não sei.
Em cima do parapeito, pernas afastadas, Pan observava o céu em silêncio.
Bra aproximou-se da janela e a amiga perguntou em voz baixa:
- Não sentes?
- Do que é que estás a falar?
- A energia de um saiya-jin…
Não sentes?
Bra fez como ela e pôs-se a olhar para o céu. Tentou concentrar-se, mas
estava tão impaciente que não conseguiu sentir nada.
- Não, não sinto.
Pan olhou-a aborrecida. Bra recuou desconfiada.
- Só vou contigo se me disseres o que é que está a acontecer – disse.
- Eu conto-te a história no caminho. Não podemos perder tempo, ou
vamos chegar atrasadas.
- Não saio daqui enquanto não me contares.
O longo suspiro de Pan indicava que também ela estava impaciente. Mas
contou:
- Hoje, o meu pai saiu de casa vestido com o dogi e disse à minha mãe que ia ajudar Piccolo-san! Disse também
que estavam todos a combater, num sítio muito longe. O ojiisan, Piccolo-san e Vegeta-san.
- Ahn?! Tens a certeza?
- Hai. Foi isso que ouvi. E
nós também vamos! Não podemos perder um combate destes. Se o meu avô está lá, é
porque é um inimigo muito forte. Depois, concentrei-me e descobri a energia de
um saiya-jin.
Pasmada, Bra tinha a boca muito aberta. De repente, empertigou-se, deu
meia volta e disse:
- Espera aqui. Tenho de avisar a okaasan.
Pan alcançou-lhe a gola do dogi
e puxou-a, fazendo-a cair.
- Baka! Vais avisar
Bulma-san para quê? Se ela sabe, não nos deixa sair daqui!
- Mas ela anda à procura do meu pai e de Trunks-kun – explicou Bra a
levantar-se. – Veio perguntar-me por eles, esta manhã.
- Depois de tudo terminar, ela ficará a saber. Anda lá. Vamos embora
ou perdemos o combate.
Bra hesitava.
- O que foi? Não me digas que estás com medo? – Provocou Pan.
Olhou para a porta do quarto a puxar as abas da túnica. Disse, pouco
segura na afirmação:
- Eu não tenho medo. Sou a filha de Vegeta.
- Assim é que é falar!
Voltou costas ao quarto que tinha acabado de arrumar para deixar a mãe
contente e saltou pela janela. E iria deixar também a mãe furiosa quando ela descobrisse
que tinha ido para um lugar perigoso, onde se combatia e, pior do que isso,
quando descobrisse que era o mesmo lugar onde estava o pai e o irmão e que não
lhe tinha contado nada. Bem, o mundo não era perfeito e não se podia ter tudo e
era tão difícil deixar Bulma agradada. Já estava habituada às descomposturas dela
e encolheu os ombros. Entre a fúria da mãe e uma aventura com Pan, escolhia,
sem hesitar, a última.
Agora que sabia voar, sentia-se mais independente. Perguntou:
- Sabes para onde temos de ir, Pan-chan?
- Basta seguir o rasto do ki
do saiya-jin. É fácil, mas é um pouco
longe e vamos voar com toda a nossa energia. Compreendido?
- Hai. Só que…
- O que foi?
- Eu ainda não sinto o saiya-jin.
- Então, vem atrás de mim. O máximo da energia!
- Hai.
As duas afastaram-se da Capsule Corporation.
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