Ele não gostava rodeios. Tinha um especial prazer em ir diretamente ao
assunto, sem entrar em jogos demorados. Por isso, a primeira coisa que fizera
fora atingir o adversário com alguns golpes que não falharam o alvo. Atordoado
com o murro na cara e o pontapé nas costelas, Keilo não se defendera
convenientemente.
Em seguida, recuou, uniu as duas mãos e gritou:
- Final Flash!
A vaga cintilante de energia abateu-se sobre o saiya-jin e rebentou. Houve fumo, houve faíscas. Keilo desapareceu
debaixo do ataque. E quando surgiu, entre a fumaça, um vulto combalido, Vegeta
mergulhou em voo picado e atingiu-o com um potente soco. Não o deixou cair.
Apanhou-o por trás na queda livre e fê-lo subir pelo céu com um pontapé nas
costas.
Perseguiu-o voraz, para lhe assentar mais uns golpes. Só descansaria
quando o visse inconsciente e subjugado ao seu poder. Concentrou toda a sua
energia na mão, para desfechar um murro definitivo. Recolheu o braço para tomar
balanço, rangendo os dentes.
Nisto, Keilo retesou o corpo, parando o voo vertiginoso e errante em
direção às nuvens. No momento exato em que Vegeta ia esmurrá-lo, voltou-se e
agarrou no punho com uma das mãos.
- Calma, Vegeta! Eu não quero que isto acabe depressa.
O príncipe puxou a mão, mas Keilo tinha-a bem presa entre a sua. Levantou
um joelho que Keilo evitou. Inesperadamente, Keilo soltou uma ruidosa
gargalhada e deixou-o ir. Vegeta não desperdiçou a ocasião – enfiou um soco em
cheio na cara de Keilo. A resposta veio em forma de cotovelada, um movimento à
meia-volta, que se cravou no meio do peito do príncipe, que se engasgou,
projetando a cabeça para a frente. Acabou derrubado por uma palmada.
Respirando profundamente, Goku sentia-se melhor. Nunca esperara que aquele
confronto tomasse aquelas proporções. Keilo era um super saiya-jin esquisito, a sua força tinha uma característica
peculiar e que não era devida à magia do Makai. Conseguiu perceber que Keilo
era um saiya-jin especial, mas não
sabia ainda muito bem porquê.
Vegeta entregava-se a fundo ao combate e Goku apreciou o seu empenho,
quando tinha ficado petrificado no início. Com o seu ímpeto habitual despachara
o adversário com um par de golpes precisos, mas era ele quem cruzava agora os
ares e desaparecia por entre as árvores da floresta. Keilo foi atrás dele.
Com as costas da mão, Vegeta limpou o fio de sangue que lhe saía do
canto da boca. Tinha a cabeça às voltas. Afastou irritado as pernadas das
árvores que tinha arrastado na queda e levantou-se. Inspirou e fechou os olhos
para recuperar de uma tontura. Ao abri-los encontrou Keilo que o observava de
braços cruzados.
- És um bom adversário, Vegeta – disse-lhe. – Mas demasiado impaciente.
Tens de ter mais calma.
- Não gosto de perder tempo.
- Hum… Assim, acabas por não apreciar o combate. Não te divertes como
eu me divirto.
- Para me divertir, basta ver-te a sangrar. Tenho gostos simples.
- Uh!... Muito bem. Faz-me sangrar.
Vegeta aumentou o ki,
espalhando a luz da aura dourada dos super
saiya-jin.
- Quando eu começar, vais implorar-me que pare.
Keilo riu-se, descruzando os braços. A atitude descontraída provocava
e irritava Vegeta que não o escondeu, rosnando.
- Sabes qual é a diferença entre nós, Vegeta?
- Eu existo e tu não passas de um feitiço.
- Eu tenho certezas e tu não.
- Certezas de quê?
- De que nem tu, nem Kakaroto, são rivais para mim. E não sou apenas
um feitiço. Sou muito mais do que isso… príncipe. Tu sabes do que é que eu sou capaz.
Algo nele vacilou, mas Vegeta disfarçou com uma gargalhada.
- És um super saiya-jin,
Keilo. – Cuspiu com desprezo – Só isso.
- Sou o super saiya-jin
lendário.
- Eras o único super saiya-jin
nessa época. Por isso, foste admirado e passaste a ser uma lenda. Agora, os
tempos são outros. Mil anos passaram e surgiram novos guerreiros… Guerreiros
poderosos! Já viste que tanto eu, como Kakaroto, somos super saiya-jin. Para além de nós os dois, existem ainda outros. O
que me dizes a isto?
- Não sou um super saiya-jin
qualquer. Não vos mostrei tudo o que sei fazer e, mesmo assim, derrotei
Kakaroto.
- Ele também não te mostrou tudo o que sabe fazer.
- E vou derrotar-te a ti.
- Nem eu te mostrei tudo o que sei fazer!
Olharam-se com ódio.
Os ramos das árvores em redor foram açoitados pela energia que se
soltou das duas auras fantásticas, que cintilavam e faiscavam como estrelas
prestes a colidir na imensidão do Universo.
A iniciativa pertenceu a Keilo que investiu com ganas. A rapidez dos
seus golpes era estonteante, mas Vegeta defendeu-se com acerto, procurando atacar
sempre que via uma oportunidade.
Keilo, no entanto, foi mais expedito e com uma cotovelada derrubou Vegeta,
que caiu no meio dos arbustos. Afastou-se a tempo ao sentir que Keilo vinha
para o rematar. Rebolou, esquivou um punho que lhe passou rente à cara. Ainda
no chão, juntou os dois pés e deu uma patada com tanta força que Keilo saiu
disparado pela floresta adentro, a derrubar árvores à sua passagem.
Vegeta levantou-se com um salto. Apontou a palma da mão e enviou uma
esfera vermelha de energia. Quando a esfera estava prestes a alcançar Keilo,
este sumiu-se, utilizando a sua enorme velocidade.
Quando a esfera explodiu e iluminou a floresta de um vermelho medonho,
Vegeta sentiu-o próximo. Teve o reflexo de baixar a cabeça e o braço de Keilo
roçou-lhe os cabelos alaranjados. Esticou uma perna para desferir um pontapé,
mas Keilo esquivou-se. Quando se virou, as mãos de Keilo apanharam-no, uma de cada lado da cara. Foi puxado e apanhou com
uma cabeçada em plena testa.
Gritou com a dor cegante. Keilo largou-lhe a cabeça e um punho fechado
afundou-se com força no estômago. Abalado com os golpes, caiu de joelhos.
Keilo agarrou-o pelos cabelos, colou o rosto ao dele.
- Sentes a minha força, príncipe Vegeta? Consegues senti-la? Pois isto
não é nada! Sou capaz de muito mais! Já te disse, e tu sabes muito bem, que sou
o super saiya-jin lendário. Podem ter
passado mil anos, mas não há nenhum outro saiya-jin
superior a mim. Mesmo que hajam dois, quatro ou dez super saiya-jin! Porque eu sou especial! Estou apenas a brincar e vocês
caíram debaixo dos meus golpes como dois principiantes.
Vegeta olhou-o e disse-lhe:
- Eu também estou a brincar.
Keilo atirou-o com um safanão. Caiu de borco, a ofegar, a sentir o
odor da terra húmida a entrar-lhe pelo nariz, a contaminar-lhe os pulmões secos.
A tossir, soergueu-se para resumir o combate. Haveria de o derrotar, nem que fosse
a última coisa que faria. Pelos seus cálculos, Kakaroto já deveria estar
recuperado e, em breve, seriam dois contra aquele maldito presunçoso.
O desprezo de Keilo era insuportável.
- Estou farto desta brincadeira… Mas nada mais posso fazer a não ser brincar
com vocês – revelou.
- Oh, então vamos passar a coisas mais sérias – concordou.
As ideias eram escassas, mas Vegeta ainda não estava disposto a
desistir. Um verdadeiro saiya-jin combate
sem receios. Tornou a concentrar o seu ki,
reunindo toda a energia que lhe restava, sem deixar qualquer reserva que lhe
valesse num momento crítico. Até ao fim, obstinadamente, sem dúvidas ou
arrependimentos. Afastou Keilo com um pontapé, depois de um breve confronto
corpo-a-corpo, estendeu os braços e começou a disparar uma saraivada de esferas
amarelas.
Do outro lado da floresta, Keilo sorriu. Fácil de defender.
***
Goku assistia ao combate desde o alto. Estava recuperado, sentia-se apto
para entrar novamente em ação, mas agora era a vez de Vegeta e não iria
interferir, a não ser que o príncipe lhe pedisse ou necessitasse.
Ficara preocupado com a conversa que escutara. Não com o facto de o saiya-jin ter dito que era mais forte do
que o estava a demonstrar – ele próprio tinha percebido isso quando o
enfrentara – mas com aquela afirmação de que era tudo uma brincadeira, só que
nada mais podia fazer a não ser brincar com eles.
O combate não era a sério. Era só para entreter.
Voltou a cabeça na direção do Templo da Lua. Pensou em Zephir e
estremeceu.
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