Julep desapareceu por detrás de uma coluna. Trunks seguiu-o mas não o
conseguiu apanhar. O demónio fugiu do seu alcance, esfumou-se. Trunks estava
farto daquele jogo do gato e do rato. Recuou alguns passos e ficou costas com
costas com Goten, que perseguia o outro demónio. Encontravam-se os dois
parados, no centro daquela casa ampla e escura, cheia de colunas e de pequenos
altares de pedra despidos.
- Para onde é que eles foram? – Perguntou Goten em surdina.
- Não sei.
- Não consigo alcançar Kumis. Ele foge sempre.
- Nem eu consigo tocar em Julep.
- Eles estão a levar-nos para algum sítio.
- Estão a fugir!
O riso dos dois demónios ecoou pelas paredes e tanto Trunks, como
Goten, calaram-se e ficaram a escutá-lo, tentando localizá-los por meio das
risadas e dirigir um qualquer ataque certeiro que os fizesse parar de correr e
de se esconder.
Junto a um dos altares surgiu Kumis. Goten correu para ele e tentou
acertá-lo com um murro, mas Kumis, utilizando a sua velocidade, tornou a sumir-se.
Goten ficou atrapalhado por socar o ar, mas depressa se recompôs. Assumiu uma
posição de defesa e começou a perscrutar o lugar com um olhar atento.
Trunks, por seu lado, procurava por Julep. Os seus sentidos diziam-lhe
que ele estava perto. Cada vez mais perto.
Atrás dele!
Com um movimento rápido, Trunks girou sobre si próprio. Julep apanhou
o punho que se dirigia certeiro para a sua cara.
- Bons reflexos, rapaz! – Comentou.
Com a mesma rapidez com que se voltara, Trunks atingiu o estômago do
demónio com o outro punho. Julep dobrou-se com a dor, soltando-o. Trunks
aproveitou, bateu-lhe na cara e derrubou-o.
A primeira vez que tocara no adversário e sentiu-se melhor. Prosseguiu
a investida, saltou para cima de Julep, o punho direito em riste, mas este, atento,
deu uma cambalhota para trás e Trunks desfez uma das lajes do chão do santuário
com um potente murro. Sem perder tempo, foi em perseguição de Julep.
Alcançou-o, tentou novo murro. Julep defendeu-se, Trunks recuou
ligeiramente e atacou com um pontapé, à meia volta. Julep apanhou com o golpe
em cheio, enrolou-se numa pirueta no ar e foi projetado de encontro a uma
coluna. Caiu juntamente com os escombros da coluna, mas levantou-se logo,
atordoado, agarrado à cabeça.
A confiança de Trunks aumentou. Respirou fundo. Não iria ser tão
difícil como julgara. Conseguira atingir o demónio e ainda nem sequer se
transformara em super saiya-jin.
Estranhamente, Julep riu-se.
- Gosto de ti, rapaz! Sabes combater!
Julep acenou com uma mão, chamando-o.
No lado oposto daquela casa, Kumis tinha acabado de pontapear Goten
nas costas. Voou alguns metros, mas não chegou a atingir o chão, pois o demónio
apareceu diante dele e tornou a pontapeá-lo. O golpe foi doloroso. Goten sentiu
o fôlego fugir-lhe dos pulmões. Fechou os olhos, esperou a sensação do embate
nas lajes negras e caiu.
Combalido pela queda, conseguiu acreditar nas próprias pernas e
levantou-se. Kumis observava-o com desprezo.
- Não sabes fazer melhor, imbecil?
Irritado por não ter conseguido fazer melhor, de facto, do que aquela
patética amostra de um ataque, atirou-se para cima do demónio, despejando uma
saraivada de golpes que Kumis desviou sem derramar um pingo de suor. Quando viu
uma aberta, desferiu novo pontapé e Goten caiu outra vez, gemendo com a dor que
lhe tolheu o corpo, como se o paralisasse. Tentou respirar, mas era como se
tivesse um colete-de-forças a apertar-lhe o peito. Conseguiu reagir a tempo e
evitar o murro de Kumis que iria desfazer-lhe a cara. Rebolou para a direita,
soergueu-se, com um salto pôs-se de pé e a irritação misturada com o instinto
deu-lhe ânimo para ripostar e, quando se apercebeu, tinha derrubado Kumis com
um soco bem colocado.
Os olhos vermelhos do demónio faiscaram de ódio quando se levantou, a
limpar um fio de sangue que corria do canto da boca. Goten, involuntariamente,
sorriu, mas Kumis estilhaçou-lhe a alegria com o remoque:
- Continuas a ser uma desilusão, imbecil! Esperava mais de um saiya-jin…
Por muito que lhe custasse lembrar, estava em baixo de forma e não
conseguia raciocinar acertadamente para delinear a melhor estratégia que o
faria ganhar ao demónio. Goten dominou o pavor de saber que não podia falhar. Contudo,
a vantagem pertencia-lhe. Ainda tinha um derradeiro trunfo na manga, ainda se
podia transformar em super saiya-jin.
Mas Kumis também ainda não tinha revelado todo o seu potencial e era mais forte
do que aparentava. Escutou um urro abafado e, pelo canto do olho, descobriu Trunks
que acabava de ser derrubado com uma potente joelhada no abdómen.
Os joelhos embateram no chão, o mundo foi engolido por um remoinho
negro. O choque com a dureza da pedra despertou-o. Trunks levantou-se sem querer
realmente levantar-se. Estava tonto, via tudo desfocado e quando encarou Julep
apenas distinguiu um borrão na penumbra do santuário.
- Vamos, rapaz! Acorda, que isto ainda não acabou!
As gargalhadas trocistas de Julep complicavam-lhe os nervos e Trunks
cerrou os dentes. Num assomo de raiva, convocou todo o seu potencial e
transformou-se em super saiya-jin.
Julep parou imediatamente de rir.
Goten exclamou:
- Trunks-kun!
- Tens razão, demónio – disse Trunks a fitar Julep com o olhar verde e
gelado. – Isto ainda não acabou. Vai começar agora.
Sentiu Julep a retrair a sua energia vital por breves segundos, um típico
sintoma do medo, e escancarou um sorriso, exibindo os dentes vermelhos do
sangue que lhe enchia a boca. O demónio inspirou ruidosamente, projetou o peito
para fora, endureceu os músculos e anunciou num berro:
- Estou pronto!
Uma aura dourada rodeava Trunks, repleta de faíscas inquietas azuis e
amarelas. O chão e as paredes tremeram levemente quando elevou um pouco mais o ki. Julep defendeu o primeiro golpe para
medir a potência do mesmo e saber com o que contava. Trunks percebeu-lhe as
intenções e não empregara muita força nesse murro. O murro seguinte concentrou
todo o seu poder e esmagou-se na face esquerda de Julep, que nem soube bem o
que o atingira. Atravessou todo o santuário, derrubando colunas e altares e foi
bater na parede dos fundos, abrindo um grande rombo.
Kumis viu aquilo e não gostou. Escapuliu-se de uma cotovelada
denunciada de Goten e foi juntar-se ao irmão que tentava libertar-se das ruínas
da parede que o cobriam. Pairou graciosamente, mas a voz saiu-lhe ríspida:
- Julep! A brincadeira acabou.
- O que é que estás a dizer?
– Protestou Julep pondo-se de pé.
- Não estamos aqui para combater
a sério. Lembra-te das ordens de Zephir.
- O que Zephir disse, não me
interessa. Aquele rapazola é um super saiya-jin e eu quero combatê-lo.
- Aquele rapazola é intocável!
Estes dois rapazolas são intocáveis! Zephir não os quer aos pedaços…
- Mas…
- Não discutas! As ordens de
Zephir são para serem cumpridas. Devemos atraí-los para os subterrâneos, não
combater contra eles.
Julep rugiu frustrado, mas aceitou o que o irmão lhe dizia, pois era
certo que não podiam contrariar o feiticeiro ou a sua existência terminaria,
sem qualquer glória. Assentiu, engolindo a afronta feita ao seu orgulho
guerreiro. Haveria de ter outra ocasião para testar a força de um super saiya-jin, consentiu,
recordando-se de Keilo.
Como num movimento ensaiado, os dois demónios voltaram-se para Trunks
e Goten. Acenaram com a cabeça para que os seguissem e sumiram-se por uma porta
dos fundos, dissimulada entre duas colunas, onde desembocava um longo corredor
estreito. Trunks e Goten não se mexeram.
- Tu percebeste alguma coisa do que eles disseram, Trunks-kun?
Este abandonou o estado de super
saiya-jin e franziu a testa.
- Não… Malditos! Já fugiram outra vez!
- Falaram numa língua muito estranha.
Trunks desatou a correr.
- Vamos atrás deles. Não os podemos deixar escapar!
- Hai!
Goten seguiu o amigo com a mesma determinação. A animá-lo havia uma
vontade imensa de dar uma lição àqueles dois demónios irritantes e de derrotá-los,
para que percebessem, de uma vez por todas, que lutavam com dois orgulhosos
filhos de saiya-jin.
Os maus pressentimentos tinham ficado, definitivamente, esquecidos.
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