Uma explosão repentina de luz acendeu todos os cantos escuros,
penetrando através das pálpebras fechadas como dois punhos e ele abriu os olhos
surpreendido com a violência daquele sismo luminoso. O barulho era
ensurdecedor, uma chiadeira poderosa que lhe furava agora os tímpanos, deixando
um zunido que calou todos os outros sons. Devia ser a cena mais emocionante do
filme, para ter aquele impacto visual e sonoro, mas ele tinha adormecido há uns
minutos atrás, aborrecido com o enredo lamechas e tão longe dos seus gostos
pessoais, que não conseguia compreender o porquê de tanto estardalhaço.
Endireitou-se na cadeira, procurando recuperar a postura, fingindo que estava a
acompanhar o desenrolar da fita com interesse genuíno, mas descobriu-a a olhar
para ele. Fora apanhado! Goten entreabriu um sorriso artificial, tão
escandalosamente fingido que os cantos da boca se arrepanharam como se puxados
por fios. Mas Coralina devia estar tão embevecida com a fita romântica que
sorriu-lhe de volta, com uma sinceridade cristalina, perdoando-o pelo deslize.
A música prosseguia num crescendo irritante e havia lágrimas dos
protagonistas que contagiavam os espetadores, que choravam com eles, no
anonimato da escuridão da sala de cinema. Mas enquanto Coralina se mostrara tão
atenta a seguir a história de amor retratada no filme, sem perder um suspiro
que fosse desde que aquilo começara, insistia agora em olhar para ele e Goten
não percebia porquê. Acentuou ainda mais o sorriso falsificado, exibindo os
dentes bem cerrados.
Aquele encontro estava a ser um desastre. Fora ideia dela, que o tinha
apanhado à saída da universidade e o convidara para irem ao cinema, já que
tinham encerrado aquela temporada esgotante de exames naquele mesmo dia e
mereciam divertir-se. Também fora ela que escolhera o filme que iriam ver,
quando chegaram ao Centro Comercial. Ele deixara-se ir, confiando que, se não
criasse demasiadas ondas, a noite passaria, agradável e sem complicações.
Goten não sabia por quanto tempo mais conseguia manter aquele sorriso
estúpido. Mas Coralina salvou-o. Inesperadamente, colou os lábios à boca dele,
beijando-o sem pedir licença. Son Goten experimentou um calafrio que lhe desceu
da raiz dos cabelos até à planta dos pés, arrefecendo-lhe o corpo e
congelando-o, até que o próximo movimento o haveria de estilhaçar em mil
bocados de gelo. Não correspondeu ao beijo. Não podia, apesar de querer, porque
a boca da Coralina era fresca e sabia a açúcar e convidava-o a uma exploração
mais profunda. Mas não podia. Ele gostava de outra e não lhe pareceu justo
estar a fingir que beijava essa outra quando era a Coralina que, afinal, estava
a beijar.
Quando saíram da sala de cinema, eram namorados. O filme terminou
minutos depois do beijo dos protagonistas e do beijo de Goten e de Coralina.
Quando as luzes se acenderam, os casais abandonaram os assentos, eles amparando
as respetivas companheiras, que se assoavam e limpavam os olhos, com expressões
deslumbradas nos rostos, a recuperar atabalhoadamente das emoções daquela
história de amor. Goten, sem querer, sentiu-se encurralado, cercado de
parzinhos enamorados. Ele não se encaixava ali. Mas a Coralina tratou logo de
esclarecer a situação e agarrou-se ao braço dele, enrolando-se como um gato,
afirmando assim que eles, afinal, não estavam a destoar da paisagem
circundante.
Convidou-o para um gelado e ele concordou, mais uma vez, com a
liderança dela naquela noite que, decididamente, era uma autêntica ruína. Ainda
não tinham trocado um par de palavras de jeito e já eram namorados! Mas como é
que aquilo lhe tinha acontecido, pensava Goten, coçando o cabelo com um dedo,
revirando os olhos. Ela roçava-se descaradamente, acompanhando-lhe os passos,
encostando a cabeça no ombro dele, como se fosse a sua siamesa. Estava tão
perto que o perfume florido que ela usava penetrava-lhe pelas narinas e
deixava-o zonzo. Goten aligeirou o nó da gravata.
Detestava usar aqueles fatos que a mãe o obrigava a vestir sempre que
lhe dizia que ia sair à noite. Estava a morrer de calor dentro da camisa tapada
pelo casaco verde. Usava sempre o mesmo fato, que já fora do seu irmão, Gohan. Aquela
peça de vestuário era sinónimo de encontros amorosos, deveria pensar a mãe.
Goten recordou a pergunta entusiasmada de Chi-Chi:
- Vais sair com a Maron?
E ele respondera, entre o admirado e o desiludido.
- Não. É uma colega da universidade.
E a mãe fizera uma cara esquisita, como se também se tivesse
desiludido.
- Ah… Está bem. Como é que ela se chama?
- Coralina.
- É um nome bonito.
Ainda considerara confessar à mãe que estava era apaixonado pela
Maron, mas que adiantaria contar isso, se a mãe, de qualquer modo, já o sabia?
E não iria a mãe censurá-lo por estar a aceitar convites da Coralina, se
gostava da Maron?
Queria que a noite terminasse depressa!
Ao lado do centro comercial ficava uma geladaria que era muito bem
referenciada naqueles dias e assim que Goten empurrou a porta para abri-la, percebeu
porquê. Lá dentro só viu caras conhecidas, parecia que toda a universidade
tinha tido a mesma ideia. Para onde quer que Goten se voltasse, encontrava
colegas seus ou colegas de Trunks. Sentiu a Coralina dar um solavanco e viu
como ela acenava entusiasmada para alguém nas mesas do fundo. Suspirou. Eram,
definitivamente, namorados…
A geladaria estava animada, cheia de rapazes e de raparigas
distribuídos por um comprido balcão que atravessava o estabelecimento, onde os
empregados, fardados de branco, com bivaques na mesma cor sobre os cabelos,
usando aventais vermelhos e verdes, se afadigavam a servir os clientes. Um
corredor que acompanhava o balcão separava a zona das mesas, com cadeiras
vermelhas almofadadas que se alinhavam, costas com costas, como os assentos dos
comboios. A parede, onde se encostavam as mesas, recortava-se em grandes
janelas de formas arredondadas e derretidas, de cores berrantes, a imitar as
porções de gelado vendidas na loja. A música alta compunha o ambiente e havia
quem dançasse ao fundo, num espaço menos povoado. O ar condicionado ligado numa
temperatura mínima refrescava o local, emulando um qualquer lugar de neve do
Norte.
Goten deixou-se levar pela Coralina até uma mesa, situada mais ou
menos a meio, lançando acenos enquanto passavam. Encontrou a Candy, uma
rapariga da turma deles, e cumprimentou-a com um sorriso desmaiado.
- Goten, estás doente?
Ele afrouxou o nó da gravata um pouco mais.
- Não.
- Estás tão pálido.
Os olhos verdes da Coralina endureceram quando percebeu que a Candy
ficara e não se limitara ao simples cumprimento da ocasião. Resolveu meter-se
na conversa.
- Goten está com calor e por isso decidimos vir comer um gelado. Ele
não está doente. O que é que fazes por aqui?
- O mesmo que vocês os dois… Estou a comemorar o fim da época de
exames.
- Estás sozinha?
- Ah… Não! – E a Candy piscou um olho a Goten. – Estou tão bem
acompanhada quanto tu, Coralina.
A Coralina não gostou também da piscadela de olho. Corou irritada.
Trunks apareceu vindo do balcão, segurando duas impressionantes taças de
gelado, bolas coloridas coroadas com uma nuvem de chantilly, onde se espetava um chapeuzinho de papel.
- Trunks-kun.
- Goten! – Olhou para o braço do amigo e comentou divertido: – Já vi
que a noite te está a correr da melhor maneira.
Goten sentiu as faces a escaldar.
- Vamos, Candy. Não podemos atrapalhar os dois pombinhos. Segue-me,
acho que vi uma mesa livre mais à frente. Essa pode ficar para eles.
- Oh, claro! Longe de mim intrometer-me entre um casalinho tão bonito.
Trunks embrenhou-se pela geladaria, gingando entre aqueles que
passavam pelo corredor, segurando habilmente as taças, arrastando a Candy, que
se agarrara à cintura dele, sacudindo a farta cabeleira negra. Goten, por seu
lado, sentiu-se abandonado pelo melhor amigo, deixado completamente indefeso
para ser devorado pelo monstro, sem qualquer hipótese de salvação. Estava
totalmente entregue à confusão que tinha criado e que não sabia como desfazer.
A Coralina puxou-lhe pelo braço.
- Querido, não queres ir buscar os gelados? Eu espero aqui.
Quando ela o soltou, sentando-se na cadeira da mesa que escolhera,
ajeitando vaidosa uma madeixa de cabelo encaracolado, o alívio foi tão grande
que Goten sorriu com sinceridade pela primeira vez, naquela noite. O braço
estava demasiado quente e massajou-o ao de leve, como se isso ajudasse a
arrefecê-lo. Encaminhou-se para o balcão, mas não chegou a fazer qualquer
pedido. O barulho de loiça a partir-se fê-lo voltar a cabeça para o fundo do
corredor e descobriu que fora Trunks que deixara cair as taças de gelado.
Estranhou. Trunks tinha excelentes reflexos e não era trapalhão ao ponto de se
deixar incomodar por uma geladaria apinhada de gente. Haveria sempre de
conseguir desviar-se no último segundo, no derradeiro milímetro e salvar o que
quer que carregasse nas mãos. Alguma coisa tinha acontecido e estava ainda a
acontecer, pois alguns curiosos juntavam-se no sítio. Um empregado saía a
correr do balcão, armado de uma vassoura e de uma pá, enquanto um outro corria
no sentido contrário, na direção do pequeno gabinete do chefe. Goten foi ver o
que é que se passava.
Escutou a voz aborrecida da Coralina.
- Onde vais, Son Goten?
Não lhe respondeu. Quando chegou ao pé da confusão, viu uma mão gorda
agarrar-se à camisa de Trunks. Pelo gelado que escorria do braço peludo ao qual
pertencia a mão ameaçadora, percebeu que as taças tinham caído para cima desse
infeliz. Ainda mais estranho. Esticou o pescoço para tentar ver melhor, mas
quem tinha chegado primeiro cerrou fileiras e tapou-lhe a visão. Pôs-se em
bicos de pés.
- Sujaste-me todo, baka!
Vamos lá para fora. Já!
Goten não queria forçar o círculo que rodeava Trunks e encolheu-se,
para conseguir ver alguma coisa por entre as minúsculas aberturas formadas pelo
conjunto de corpos. Viu uma rapariga sentada na mesa atingida pela catástrofe.
O tampo estava coberto de vidros e de gelado esborrachado, os cotovelos dela
estavam em cima do tampo, as mãos a esconderem a cara com a vergonha, uns
cabelos loiros conhecidos.
- Maron?...
- Queres ir lá para fora? Com todo o gosto – respondeu Trunks.
O rapaz furou o círculo e arrastou Trunks pela geladaria, com uma
legião de admiradores atrás. O chefe saía do gabinete, mas não chegou a intercetar
a procissão que se dirigia para a porta. Pelo menos, o empregado da vassoura
conseguiu o espaço necessário para limpar a porcaria que tinha sido feita. Goten
foi atrás da procissão, cada vez mais intrigado.
No exterior, o rapaz atirou Trunks para o chão de cimento que
pavimentava o passeio largo que rodeava o edifício da geladaria. A procissão
espalhou-se em redor da cena, formando novo círculo, desta feita mais largo
para dar espaço aos adversários. Esperavam o confronto com alguma expetativa.
Goten adiantou-se e conseguiu chegar-se à frente.
Viu Trunks sentado no chão, a fingir-se aturdido. O rapaz que o
empurrara usava uma t-shirt branca
que agora se pintalgava de todas as cores, do gelado que levara em cima. Exibia
um torso musculado, uma tatuagem no braço esquerdo. As calças de ganga justas
revelavam umas pernas demasiado magras para o resto do corpo, decerto
trabalhado durante horas num ginásio de musculação. Tinha o cabelo ruço cortado
rente, uma cara embrutecida, orelhas pequenas e amarfanhadas, um pescoço
grosso. Apesar do aspeto imponente, não era o suficiente para intimidar Trunks
e Goten estava cada vez mais intrigado. Mas ao lado dele apareceu a rapariga
loira que acompanhava aquele brutamontes, empurrando dois rapazes que lhe
fechavam o caminho, e confirmou a identidade dela, com um sobressalto no
coração. Era mesmo a Maron.
Baixou a cabeça, enfiando as mãos nos bolsos das calças vincadas do
fato verde das saídas noturnas, afastando-se ligeiramente para que ela não o
reconhecesse. A sua Maron tinha saído com aquele imbecil tão feio? Seriam…
namorados? Sentiu o coração cravar-se de espinhos. Depois lembrou-se que também
ele tinha saído com a Coralina e que tinha beijado a Coralina na sala do cinema
e que tinham entrado de braço dado na geladaria, onde já estava a Maron. Teria
ela visto a sua chegada com a suposta namorada? Que embrulhada e o coração que
continuava a doer-lhe.
- Acaba com a brincadeira – pediu Maron irritada.
- Não te preocupes – respondeu o brutamontes, apertando as mãos uma na
outra, fazendo estalar os ossos. – Só o vou enviar uma boa temporada para o
hospital
- Eu não estava a falar contigo, Bob!
- Bob? – Riu-se Trunks, ainda sentado no chão. – Chamas-te Bob,
grandalhão?
- Estás a troçar do meu nome, baka?!
– Rosnou. – Vou é enviar-te para o cemitério, em vez do hospital!
- Ouviste-me? Para com a brincadeira! – Insistiu Maron.
Muniu-se de toda a sua coragem e tocou-lhe no braço. Maron virou-se de
repente. Estava zangada.
- Goten! Estás aqui.
- Komba-wa, Maron…
Ela apontou para os dois no centro do círculo e pediu-lhe:
- Diz ao teu amigo para deixar de se armar em palhaço. Não está a
fazer rir ninguém!
- Acho que ele não me vai ouvir…
Maron cruzou os braços, resmungando qualquer coisa que Goten não
percebeu. Trunks levantou-se sobre umas pernas trémulas. Bob exibiu um sorriso presunçoso,
fechando a manápula num punho gigantesco. Tinha falta de dentes e era ainda
mais feio do que com a boca fechada.
- Começa a rezar, baka!
Alguns dos espetadores assobiaram e lançaram palavras de incitamento.
A tensão perpassava por todos como uma vaga quente. Goten percebeu que Trunks,
apesar de sorrir como um ar aparvalhado e de ter a franja comprida a cobrir-lhe
parcialmente a visão, tinha focado o seu ki.
Bob lançou o punho como uma maça, colocando toda a sua potência neste,
rosnando como uma besta feroz. Sem abandonar a postura descontraída, Trunks
conseguiu aplicar um golpe seco e rápido que foi o bastante para anular o
ataque. O punho de Bob parou perto da cabeça de Trunks, a cara de Bob paralisou
na expressão ameaçadora, o corpo de Bob ficou rígido como que parado para uma
fotografia. Trunks retirou o braço que atingira o outro no abdómen. Nisto, os
olhos de Bob reviraram e caiu redondo no chão.
O círculo mergulhou no silêncio, tão absoluto que se conseguiu escutar
o zumbido do reclamo luminoso da geladaria que piscava por cima da entrada. A
desilusão por não obterem o sangue e a emoção que esperavam daquele combate fez
debandar rapidamente a assistência, que regressou à loja.
Trunks limpou as mãos uma na outra, divertido.
- Espero que tenhas aprendido a lição… Bob!
Mas quando descobriu Maron ao lado de Goten ficou muito sério.
- Vais agora explicar-me o que significa isto? – Perguntou ela.
Com a mão direita afastou a franja da testa e escancarou um sorriso
angelical.
- Porque é que encheste de gelado o rapaz que estava comigo?
- O teu pai sabe que estás aqui?
Ela descruzou os braços e disse indignada:
- Que descaramento, Trunks Brief! Andas a controlar-me?
- Só tens dezasseis anos, és muito nova para saíres à noite.
- E o que é que… – Apertou os dentes, a corar como se fosse rebentar.
Deu uma cotovelada em Goten. – Já viste o que o teu amigo me está a dizer? E
tu, não dizes nada?
Mas Goten só foi capaz de encolher os ombros e de gaguejar:
- Eu… Eu não sei…
Maron respirou fundo. Ela ficava tão bonita quando se zangava e,
naquela noite, estava ainda mais bonita, vestindo uma blusa azul com mangas
largas e umas calças de ganga justas, apertadas na cintura com um cinto azulão,
balançando na mão uma maleta com uma alça fina, feita de pequenas argolas
metálicas.
Os rapazes que os tinham seguido entravam devagar na geladaria.
- Son Goten, o que é que está a acontecer aqui?
Voltou-se, de mãos enfiadas nos bolsos. A Coralina interpelava-o. A
Candy estava ao lado dela. Ao perceber um sinal discreto de Trunks, puxou-a
pelos ombros, dizendo:
- Vamos embora, amiga. Amanhã logo falas com ele.
Coralina espetou um dedo, ameaçando:
- Temos muito que conversar! Telefono-te amanhã.
- Está bem – disse Goten atrapalhado.
Estava encurralado. A Coralina não iria desistir dele tão facilmente.
Viu-a ir-se embora com a Candy, deitando breves olhadelas por cima do ombro, a
testa franzida, a boca torcida, sinal de que estava deveras zangada. Mas, ao
lado dele, tinha o aroma da Maron, aquela fragrância doce que ela libertava dos
cabelos loiros, o calor suave do corpo dela e soube imediatamente que não tinha
dúvidas do que realmente queria, naquela matéria. Não sabia como, mas haveria
de se escapar do beco onde se enfiara.
A voz da Maron fê-lo estremecer.
- Também me vou embora – anunciou, colocando a mala a tiracolo. – Não
faço nada aqui.
- O Goten pode levar-te a casa – sugeriu Trunks.
- Não, obrigada.
- E o teu amigo?
- O que queres que faça? Que o leve comigo? Ele já é crescidinho.
Quando acordar, consegue chegar a casa, tenho a certeza.
- Pensava que era… teu
amigo.
Maron sorriu, percebendo a indireta de Trunks. Virou costas aos dois rapazes,
acenou com a mão direita e foi-se embora, resistindo à tentação de deitar uma
espreitadela antes de dobrar a esquina que a faria desaparecer do campo de
visão de Goten. Continuava a ignorá-lo ostensivamente e ele continuava a
admirá-la. Engoliu a saliva que tinha na boca, o coração batia como um tambor.
Despertou ao sentir a cotovelada de Trunks.
- Não te preocupes com o Bob. Ele não vai sair mais com a Maron.
- Eu não estou preocupado.
- Fazes bem. E essa Coralina? O que é que te deu para andares com ela?
- Foi só uma saída até ao cinema.
- Hum… Uma saída interessante, pelo que percebi.
- Trunks-kun… – Corou e desviou o olhar para o cimento do passeio. –
Não quero falar nisso.
Trunks suspirou.
- Bem, a minha noite com a Candy também está arruinada… Pensemos no
dia de amanhã. Lembras-te do que combinamos, assim que os exames acabassem?
Os olhos de Goten brilharam.
- Hai!
- Começam os nossos treinos. Amanhã, encontramo-nos na minha casa.
Primeiro, vamos treinar com o meu pai. Depois, nas férias do verão, faremos uma
visita ao teu pai para nos treinarmos na ilha, com Ubo-kun.
- Concordo!
Goten e Trunks trocaram uma risada. Despediram-se e quando Goten voava
em direção a casa, o vento fresco a bater-lhe na cara, libertou-se da gravata,
atirando-a fora. Perdeu-se na noite, rodopiando no vazio, e ele sorriu, de
olhos fechados, antecipando o dia seguinte, sentindo-se, subitamente, feliz.
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