Os seus
companheiros apareceram no pátio em ruínas e aquele que Goku fixou
imediatamente foi Ubo. Não teve tempo para se alegrar com a presença dele,
porém. Trunks arrebatou-lhe a Ana dos braços.
- Ana!
- Ela está
bem – sossegou Goku. – Está apenas cansada, mais nada.
- Oh,
querida… estou tão orgulhoso de ti – murmurou Trunks, estreitando-a nos braços.
Goku levantou-se,
passando os olhos por todos. Vegeta afastava-se deles, braços cruzados,
carrancudo como sempre. Inclinou a cabeça na direção do príncipe, um meio
sorriso nos lábios.
-
Conseguiste, não foi?
Vegeta
devolveu-lhe o meio sorriso, respondendo-lhe misterioso:
- Hai… Pelos vistos, consegui.
Depois
reparou naquele que Piccolo carregava sobre um ombro. Estava tão apagado quanto
a rapariga da Dimensão Real. Reconheceu-o e balbuciou deveras espantado:
- Oh… Mas
esse que tens aí, Piccolo… É número 17!
O namekusei-jin confirmou acenando
afirmativamente:
- Estava
prisioneiro nos subterrâneos do templo, assim me contaram os rapazes.
- Estava com
a Maron – acrescentou Goten.
Goku viu que o
filho carregava a filha de Kuririn nos braços. Arqueou os sobrolhos naquela sua
maneira engraçada de mostrar espanto genuíno.
- E o que
fazia a Maron aqui com número 17?
Goten
encolheu os ombros.
- Quando ela
acordar, podemos perguntar-lhe.
Como a sua
curiosidade não seria satisfeita nos próximos minutos, esqueceu prontamente o
assunto. O seu olhar casual apanhou, pela segunda vez, a presença de Ubo. O
rapaz percebendo o interesse dele, encolheu-se envergonhado atrás de Piccolo.
Goku assentou os punhos fechados na cintura, esticou o pescoço para estabelecer
novamente contacto visual com o seu pupilo e concedeu-lhe um sorriso cristalino,
sem malícia.
Ubo
mostrou-se, abandonando o refúgio atrás de Piccolo, cabisbaixo, arrastando os
pés. Num fio de voz pediu:
- Gomen nasai… Goku-san.
Goku
estranhou. Não era muito comum Ubo tratá-lo pelo nome e sempre que o fazia
significava que a ocasião era especial. Abriu mais o sorriso.
- Eu
perdoo-te, se tu também me perdoares, Ubo-kun.
O rapaz
olhou-o desconcertado.
- Sensei…
- Portei-me
muito mal contigo. Menti-te e eu não gosto de mentir, mesmo que seja sem
querer, aos meus amigos, muito menos aos meus filhos. Deveria ter-te contado a
verdade. Podias ter-nos ajudado. Em vez disso, por desconheceres o que é que se
estava a passar, caíste na magia do feiticeiro e quase que ia acontecendo uma
desgraça. Gomen nasai, Ubo-kun.
O rapaz pendeu
a cabeça para o lado direito e Goku sentiu um calafrio, porque aquele trejeito
era típico de Majin Bu. Acalmou-se,
de seguida. O pesadelo já tinha terminado com o fim do feiticeiro, era apenas
um reflexo que lhe lembrava que o monstro fazia parte de Ubo, existia
adormecido nas profundezas do seu subconsciente e, de vez em quando, haveria de
surgir num gesto, numa palavra, num combate, durante uma boa sessão de treinos
intensivos.
- Irei
perdoá-lo, Goku-san, com uma condição.
- Eh!... Que
condição? – Estranhou Goku.
- Quero
conhecer a história do meu passado. Nunca me contou o que tinha acontecido
antes de eu nascer… Nunca me falou de Majin
Bu.
Uma pérola
ínfima de suor surgiu-lhe na testa. Mas Goku concordou:
- Hai. Eu conto-te sobre Majin Bu.
Por fim, Ubo
sorriu.
- Está
perdoado, sensei.
- E tu também
estás perdoado. Bem-vindo de volta, Ubo.
E selaram a
conversa com um abraço apertado.
A noite tinha
caído e soprava um vento manso e quente de primavera.
O Templo da
Lua era agora uma carcaça esventrada e vazia, mergulhada em sombras
inofensivas, despojado de ruído e estranhamente desamparado sem a presença
negra de Zephir, do poder de Keilo, dos demónios Julep e Kumis e dos guinchos
dos kucris. Todos tiveram aquele mesmo pensamento.
Goku
recordou-se de Keilo, espreitou Vegeta. Ele estivera tão concentrado em chegar
ao nível três dos super saiya-jin que
não se apercebera, de certeza, do aumento brutal de energia de Keilo e da sua
transformação em super saiya-jin,
nível quatro. Talvez lhe contasse o que tinha sucedido um dia, durante um
combate em que testariam as suas capacidades, quando ambos se enfrentassem como
super saiya-jin de nível três. Escondeu
um sorriso de pura alegria a antecipar esse dia, porque adorava lutar contra
Vegeta, um pequeno prazer que gostava de manter secreto, por causa dos
mal-entendidos, porque ninguém haveria de compreender as suas razões e as
razões de Vegeta. Afinal, não passavam de dois saiya-jin de sangue puro com noções muito especiais relativamente à
definição de divertimento.
Vendo em
retrospetiva, adorara ter conhecido o super
saiya-jin lendário. Keilo ensinara-lhe que existia outro nível de poder e
que poderiam haver outros, os limites eram infinitos e as possibilidades
incontáveis. Goku jurou que iria treinar-se duramente para também ele chegar a
ser um super saiya-jin de nível
quatro. Ou nível cinco. Riu-se para si próprio com a ideia descabida… Ou talvez
não.
O barulho de
passos arrastados quebrou o silêncio e colocou-os alerta. O Templo da Lua já
não estava vazio. No pátio apareceu um homem velho, de ombros encolhidos e
costas curvadas com um aspeto solene e autoritário, acompanhado por três homens
vestidos com túnicas largas vermelhas, esfarrapadas e sujas. Dobrou-se numa profunda
reverência diante de Goku.
- Grande
guerreiro, o verdadeiro Sumo-sacerdote deste templo saúda-te. É uma honra
conhecer-vos, Son Goku.
- Ah… Yo, ojiisan.
Eh… É também uma honra conhecer-te.
Piccolo
revirou os olhos pela falta de maneiras de Goku.
Mas se fora
inconveniente ou desrespeitoso, não incomodou o Sumo-sacerdote que prosseguiu:
- Queria agradecer-vos,
Son Goku, por tudo o que fizestes por nós.
- Não precisas
agrad…
- Se não
fosse pela vossa valentia inigualável… – cortou o velho e o seu braço percorreu
o pátio num gesto dramático, incluindo todos os outros. – Se não fosse pela
valentia inigualável dos guerreiros que guardam a Terra, o Universo estaria
condenado.
- Na
realidade, deves agradecer àquela rapariga que está ali. – Goku apontou para os
braços de Trunks. – Foi ela que eliminou Zephir com a ajuda do Medalhão de Mu.
O velho sorriu,
acendendo as rugas junto aos olhos e à boca.
- Ela está
convosco. Nós sempre confiámos nos guerreiros das estrelas.
Goku sorriu
também.
O
Sumo-sacerdote revelou-lhes ainda que pretendia reconstruir o Templo da Lua,
devolver-lhe o esplendor que tivera antes daquela guerra vergonhosa.
Assegurou-lhes que nunca mais haveriam de educar um feiticeiro que pudesse
colocar o mundo em perigo e que iriam viver, como sempre acontecera até ali, em
função de objetivos pacíficos, norteados pela procura da sabedoria e pela
humildade.
- O templo
irá, em breve, acolher novos monges – completou o Sumo-sacerdote emocionado. – Desejamos
aprendizes que honrem a magia através da veneração da noite e da magnífica
deusa desaparecida. Será o sangue novo que irá reerguer o templo e dar-lhe uma
nova vida, apagando os terríveis erros do passado.
E Goku pensou
em Kang Lo, que seria certamente um dos primeiros a bater à porta do novo
Templo da Lua.
Tinha chegado
o momento de deixarem aquele lugar.
Goku
despediu-se e partiu, acompanhado pelos seus companheiros.
A magnífica
aventura vivida intensamente por todos terminava.
Zephir fora
destruído para todo o sempre e a missão estava cumprida.
A Terra
encontrava-se finalmente em paz.
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