Ouvia-se o
barulho da cascata.
Goten não
conseguia parar de sorrir. Nunca se tinha sentido tão feliz na vida. Tinha-a
ali, junto ao peito, enroscada nos seus braços como um pequeno gato, confiando
na proteção dele, aceitando a companhia dele e, sobretudo, o amor dele.
Conseguira conquistá-la e ainda não tinha percebido bem como fora que tudo
acontecera. Ou talvez nunca percebesse. Maron despertou. Deslizou para se
libertar e ele deixou-a ir, contrariado. Pôs-se de pé a ajeitar o blusão, a
sacudir a erva das calças. Ele calçou as sapatilhas, manteve os atacadores
desapertados.
Ela disse a
observar o horizonte.
- Tenho de
voltar a casa. De preferência antes de o sol nascer. Se o meu pai sabe que
passei a noite contigo…
- Eu falo com
ele.
Ela levantou
uma mão.
- Vamos com
calma. Nós não temos ainda uma relação oficial e eu só tenho dezasseis anos.
- Podemos tornar
isto oficial, na festa de hoje.
Maron
sorriu-lhe. Goten corou.
- Há… algum
problema?
- Não sei.
Poderá parecer repentino. Não achas?
Ele coçou a
cabeça, revirando os olhos. Murmurou:
- Bem, depois
daquilo que fizemos esta noite… Acho que temos mesmo de tornar isto oficial.
Ela ficou
zangada, espetou-lhe um dedo no peito.
- Ah, mas sem
qualquer dúvida, Son Goten.
- Nani?
- Tu vais ser
o meu namorado e sem protestar!
Ele retraiu-se:
- Mas eu
quero casar contigo, Maron…
Ela retirou o
dedo como se o tivesse queimado. Foi a vez de ela admirar-se.
- Na-nani?!
- Eu quero
casar contigo – repetiu ele no mesmo tom acanhado. – Sei que só tens dezasseis
anos, mas eu não me importo de esperar. O tempo que tu quiseres… O teu pai
dá-me uma sova se eu não me comprometer contigo, depois do que andámos a fazer.
Maron desatou
a rir, para aligeirar a tensão criada.
- O meu pai,
a dar uma sova num super saiya-jin?
- A tua mãe,
então…
O riso dela
era divinal. Sorriu, totalmente enamorado daquela menina que se tornava numa mulher
ao lado dele, com quem haveria de partilhar uma vida inteira. Não se queria
separar dela, o coração apertava-se-lhe só de pensar que teria de a deixar ir
para casa e que só a veria dali a algumas horas, na festa de Bulma-san e que
haveria de passar dias inteiros sem a ver.
Entreolharam-se.
Ela estava com os braços colados ao corpo, mãos refugiadas nos bolsos do
blusão, encolhida como no início, como se estivesse com frio. Ele quis
abraçá-la, mas ela já se estava a despedir e afastara-se um pouco.
- Bem… Vemo-nos
na festa, Goten.
- Hai. Posso… falar contigo, na festa?
- Claro.
- Eu queria
muito que… me aceitasses como teu namorado… na festa.
- Se o
quiseres…
- Eh… Quero,
claro que quero.
- Então, está
bem.
- Mas assim,
os teus pais…
- Ficam logo
a saber. – E ela encolheu os ombros.
- Ficam logo
a saber, o quê? – Perguntou ele em pânico.
- Que tu e eu
namoramos.
- Ah… Pois.
Isso.
- Pensavas o
quê, Goten?
- Nada…
- Esta noite
vai ser um segredo nosso.
- Hai.
- Mas não me
importo de me convidares para outra noite igual.
Ela
piscou-lhe o olho e ele corou.
- Mas desta
vez, vais tu bater na janela do meu quarto. Combinado?
- Combinado,
Maron.
A separação
estava a ser difícil. Mas teria, inevitavelmente, de acontecer.
Goten tinha
um ar desamparado. Ela deu-lhe um beijo de raspão na face, levantou voo e
foi-se embora. Teve de ser assim, de repente, senão nunca mais se iria embora.
Ele aceitou a partida dela, estava triste por sabê-la longe, mas também se
sentia repleto, satisfeito, feliz, imbecilmente feliz. Também levantou voo e
dirigiu-se para casa.
Se antes não
conseguia dormir, agora ser-lhe-ia impossível.
O barulho da
cascata ficou para trás, desvaneceu-se na madrugada.
Mas o que tinha
acontecido naquela noite seria eterno.
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