Porque eram
as melhores amigas do mundo e de todo o Universo, por acrescento, Pan tinha
chegado à Capsule Corporation, na véspera da grande festa que a mãe tinha
estado a preparar para comemorar o fim do feiticeiro malvado. Naquela noite
dormiam as duas no mesmo quarto, depois de um dia de brincadeira. Bra apagou a
luz do candeeiro, a pensar que nunca se sentira tão feliz.
- Bra-chan?
- Hai.
Partilhavam a
mesma cama, que era larga e onde cabiam as duas sem se incomodarem demasiado
uma à outra durante as horas de sono, até porque até nisso se completavam –
enquanto Pan era irrequieta, Bra conseguia adormecer e acordar na mesma
posição.
- Agora que
Zephir já foi eliminado e que estamos novamente em paz, vamos voltar a treinar
juntas.
Os olhos
azuis de Bra brilharam.
- Para chegarmos
a super saiya-jin – completou Pan.
- Super saiya-jin? Achas… que podemos
chegar a super saiya-jin?
- E porque
não? Temos o mesmo sangue nas veias que Trunks ou Goten e eles foram super saiya-jin mais ou menos com a
nossa idade.
Bra
encolheu-se, puxando o lençol até ao queixo.
- Mas se
estamos em paz…
- Eu quero
ser mais forte. Vou ser mais forte – completou cerrando os dentes. – Quando me
enfrentei àquele demónio, fui derrotada como se fosse uma principiante.
- Mas o
demónio era muito forte, Pan-chan.
- Nada pode
assustar um saiya-jin – admoestou a
filha de Gohan agastada. – Se Vegeta-san te ouvisse a dizer isso!
- Zangava-se
muito comigo.
- E com toda
a razão! Ouve, quero pedir-te uma coisa. Da próxima vez que fores treinar com o
teu pai…
- Mas eu
nunca mais me treinei com o meu pai, Pan-chan…
- Ele esteve
ocupado nestes últimos meses. Acredito que, a partir de amanhã, vai outra vez
dizer-te para ires treinar com ele na Câmara de Gravidade. Quando ele te disser
isso, pede-lhe para eu ir com vocês.
- Queres
treinar comigo e com o ‘tousan na
Câmara de Gravidade?
- Hai!
Bra observou
curiosa a amiga. Estava determinada e quando era assim conseguia tudo o que se
propunha fazer. Confiava em Pan e acreditou que também ela acabaria por chegar a
ser em breve uma super saiya-jin como
o pai e o irmão e o pai haveria de ficar tão contente com ela, apesar de saber
que nunca o iria demonstrar. Sorriu e disse com o mesmo entusiasmo que percebia
em Pan:
- Claro.
Vamos treinar na Câmara de Gravidade e vamos ser duas meninas super saiya-jin!
- Bulma-san é
que não vai gostar nada disso.
Riram-se uma
para a outra.
- E
Videl-san?
- A minha
mãe? – Pan encolheu os ombros num gesto rebelde. – Ela já sabe que eu gosto
mais de combater do que brincar às casinhas, vestir vestidinhos bonitos e
perseguir namoradinhos.
Bra fez beicinho,
ofendida.
- O que
queres dizer com isso? Que eu sou uma menina mimada?
Pan deu-lhe
um toque amigável no queixo com o punho fechado.
- Ah, nós bem
sabemos que tu és a flor cá de casa. Mas vamos fazer de ti uma super saiya-jin à mesma. O teu pai e eu
garantimos que isso vai acontecer.
- Está bem. –
Bra soltou um suspiro. – Mas eu também gosto de brincar às casinhas e de vestir
vestidinhos bonitos. – Não acrescentou perseguir namoradinhos, pois não achava
os rapazes da sua escola nada dignos de perseguição. Eram tão bebés!
- Por isso,
vai ser ainda mais divertido! Uma super
saiya-jin que é também uma princesa. Vais surpreender todos os nossos
inimigos.
- Mas eu sou
mesmo uma princesa, Pan-chan.
- Eu sei, eu
sei.
Calaram-se.
Pan olhava para o teto, braços por cima do cobertor. Bra, deitada de lado,
colocou as mãos unidas entre o travesseiro e a cabeça. Bocejou, ensonada.
Estava mesmo quase a adormecer, quando escutou Pan perguntar baixinho:
- O que é que
vai acontecer com a Ana-san?
- Ouvi dizer
que ela vai embora para a Dimensão Real amanhã de manhã.
A amiga fez
uma ligeira pausa, remexeu-se debaixo do cobertor.
- Antes da
festa?
- Hai. O que quer dizer que os doces que
ela ia comer poderão ser divididos por nós as duas, Pan-chan!
- Pois é…
As duas
meninas tornaram a rir-se.
- Porque é
que queres saber o que é que vai acontecer com a Ana-san?
Viu Pan fazer
uma careta.
- Eu estava
naquela sala quando o sacerdote do templo que era nosso amigo disse que ela só
podia ficar um ano na nossa dimensão. Queria saber se ela ia mesmo ficar um ano
aqui…
Estava a
esconder-lhe alguma coisa e Bra franziu o sobrolho. Bocejou outra vez e
murmurou:
- O nii-chan está muito triste porque ela se
vai embora…
- Pois… sim.
Deve estar…
Pan voltou a
cara. Escondia-lhe alguma coisa. Mas Bra estava com tanto sono que não se
incomodou em esclarecer a questão. Soou-lhe a coisa semelhante a perseguir
namoradinhos e achou estranha a preocupação da amiga, quando Pan detestava
ainda mais do que ela os rapazes da sua idade. Mas como não queria
verdadeiramente saber daquilo, adormeceu.
***
A festa do
dia seguinte iria ser muito triste para Trunks, pensou Pan a olhar para a
parede, a fugir do contacto visual com a Bra. O seu estratagema acabou por
resultar, pois a amiga ficou a dormir passado algum tempo.
Alguém teria
de ir alegrar Trunks naquela festa. Resolveu que seria ela. Iria oferecer-lhe
um bolo especial e dar-lhe-ia um beijo na cara para que ele não se sentisse tão
triste. Corou a visualizar a cena, mordendo a língua por estar a agir assim, de
uma forma tão descabida quando pensava no irmão da melhor amiga, que era um
rapaz muito mais velho que ela e que nem sequer sabia que ela existia. Mas
Trunks era muito bonito, sabia lutar e era deveras interessante… O rapaz mais
interessante que ela conhecia…
… E, a partir
do dia seguinte, sozinho.
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