Era super saiya-jin nível três contra super saiya-jin nível três. O embate
colossal entre os dois maiores guerreiros do Universo. O planeta rugia sempre
que os dois se encontravam, se tocavam. Havia trovões, faíscas, luz, som, vento
e tempestade. As montanhas ruíam, o solo fendia-se, o céu escurecia, os oceanos
ferviam.
O tempo
parava e acelerava e tornava a parar.
A esfera
violácea com a potência de uma bomba atómica zunia nas palmas ferventes das
mãos de Gotenks. Tinha sido o último ataque de Keilo e o saiya-jin de Zephir observava o esforço descomunal do seu adversário
para anular aquela enorme quantidade de energia que pulsava descontrolada e ameaçava
desfazer o planeta em mil pedaços. O “M” negro de Keilo reluzia misturado com o
suor que lhe molhava a testa.
Gotenks teve
um pensamento amargo. Estava a perder aquele combate. Lentamente, sub-repticiamente,
mas o facto era que o perdia.
As pernas vacilaram
por um segundo. O guerreiro cerrou os dentes e conseguiu suster a vontade
imensa que o corpo tinha de amolecer e de desistir. A esfera de Keilo zunia,
queimava, insistia perigosa por cima dele, entre os braços levantados, sobre as
mãos abertas.
Faltava-lhe
treino. Só isso… E já era tanto! Gotenks tinha a cabeça baixa. A boca magoada e
ensanguentada torceu-se num sorriso irónico. Ria-se de si próprio, fora
patético. Sabia que tinha falhado onde não podia ter falhado, tinha cometido
erros que não eram admitidos num qualquer torneio de amadores, quanto mais num encontro
tão importante como aquele.
E o
pensamento sobrepunha-se, minando a confiança. Estava a perder aquele combate.
Levantou a
cabeça. Mas ele era um saiya-jin e o
que um saiya-jin mais prezava era o
seu orgulho e a sua honra.
Levantou a
cabeça, animado por essa nova noção, o orgulho e a honra de um saiya-jin, mesmo que o pensamento subsistisse, nas traseiras, agora como um
murmúrio. O rosto congestionado exibia raiva. Dobrou ligeiramente os cotovelos
para ganhar impulso. Convocou toda a sua energia e enviou a esfera violácea para
os céus com um berro que fez tremer o mundo. O ataque flamejante passou por Keilo,
assobiando como um foguete de feira. Desintegrou-se na estratosfera, a muitos
quilómetros de altitude.
A explosão
espalhou sombras pelas montanhas.
Gotenks pulou,
atacou, aproveitando as energias recém-adquiridas. Keilo, no entanto, parecia
conhecer todos os seus movimentos e sumiu-se.
- Mas… Onde
se meteu aquele maldito?! – Exclamou Gotenks de punho cerrado, frustrado por
ter falhado o alvo.
- Aqui!
A voz de
Keilo surgiu do nada. Gotenks defendeu-se mal. Outra falha e essa foi fatal.
Um soco
poderoso derrubou-o. Caiu de costas, sentiu os ossos estilhaçarem-se. Quedou-se
estendido, os olhos colados nas alturas, a contemplar impotente como uma
segunda esfera violácea se precipitava para cima dele. Com menos potência, mas
igualmente perigosa, voraz, assassina.
Gotenks
perdeu os sentidos, no meio de um mar de fogo.
A sua energia
escoou-se como líquido quente a verter-se de uma vasilha com milhentos furos,
deixando o recipiente gelado e vazio. A analogia com o seu corpo causou-lhe
aflição, mas era assim que se sentia, para além de derrotado. Abandonou o estado
de super saiya-jin.
Keilo
aproximou-se. Segurou-o pelo pescoço, apertando-o com maldade. Sufocou, o
reflexo fê-lo inspirar com ânsia e despertou, a tempo de ver um punho esborrachar-lhe
o nariz e a boca. Houve dor, algures, mas ele não se importou. Não sentia nada, ou provavelmente não desejava
sentir. Bloqueou as sensações, enquanto se deixava ficar, a sentir os murros
impiedosos de Keilo na cara e no corpo.
Foi solto, o
corpo estranho, que continuava gelado e vazio, caindo. Antes de atingir o chão
apanhou com um derradeiro pontapé que lhe desfez o que faltava dos ossos.
Embateu num rochedo e imobilizou-se, enrolado numa posição estranha.
O saiya-jin de Zephir riu-se. E as
gargalhadas de Keilo foi o último som que escutou daquele mundo que era tão
desconfortável. De olhos fechados, deixava-se ir para outras paragens, fugindo
da dor.
Negrume.
Vergonha.
Fim do
combate.
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