- Bra-chan!
Bulma empurrou Vegeta à bruta e abraçou-se à filha.
- Bra-chan! Oh, queridinha! Agora está tudo bem. Já estás em casa.
Estás a salvo! – Exclamava enquanto a estreitava nos braços.
A miúda recebia o abraço protetor da mãe em silêncio, sem expressão,
como se estivesse anestesiada. Deixava-se manusear como se fosse uma boneca, os
olhos escancarados, a boca convertida num traço mudo, os braços pendurados.
Trunks abandonou a sala assim que viu o pai chegar com a irmã e sem a
Ana. Foi-se embora desiludido e irritado. Goten seguiu-o. Só Piccolo se
apercebeu da saída dos dois rapazes.
Bulma estranhou a apatia de Bra. Segurou-a pelos ombros, analisou-lhe o
rosto imperturbável.
- Bra-chan, estás bem?
Vegeta disse presunçoso:
- Claro que está bem! O feiticeiro não lhe fez nenhum mal. Sabia que
se tocasse nela teria de se ver comigo e ele não é estúpido ao ponto de
provocar a ira dos saiya-jin por uma
ninharia.
- Mas ela não se mexe – disse Bulma preocupada.
- Ora! – Disse Vegeta agastado. – O que é que queres que ela faça? Que
desate aos saltos? Que se queixe e que chore como se fosse um bebé? Ela está
bem, já te disse! Está a portar-se como uma verdadeira princesa saiya-jin. Quando tinha a idade dela,
deixaram-me sozinho num planeta habitado por criaturas gigantescas e quando me
foram buscar, eu também não dizia uma palavra.
Goku arqueou os sobrolhos. Disse a medo:
- Uh… Porque estavas… assustado?
- Não! Não tinha necessidade nenhuma de comentar o que tinha feito!
Acabei com todas as criaturas gigantescas, sobrevivi, aprendi com a
experiência. Um verdadeiro saiya-jin
não anda a apregoar as suas conquistas. Segue em frente, para o próximo desafio,
esquecendo o que se passou. O passado é o passado. Lamechices!
- Não digas asneiras! A Bra não foi conquistar nada. Foi feita
prisioneira por um feiticeiro horrível que odeia o pai dela. Sabes lá o que lhe
pode ter metido na cabeça…
- Não digas tu asneiras, mulher! Olhem para ela e vejam-na como um
exemplo. Assim é que um saiya-jin se
deve comportar. Insensível, calculista, dominador. Ela só tem sete anos e nada
a assusta. Nem mesmo um maldito feiticeiro que a fechou num sítio escuro e
assombrado. Bra é um exemplo de coragem. Tenho orgulho nela, nem chorava quando
o feiticeiro a trazia pela mão e…
Nisto, Bra desfez-se num choro desgovernado. Vegeta saltou espantado
com os gritos e as lágrimas da filha. Bulma surpreendida com aquela reação,
finalmente alguma reação mesmo que fosse tão extrema e de cortar o coração a
quem a ouvia, balbuciou:
- Oh… querida, não chores… Por favor, não chores. Estás na tua casa, a
salvo… Já to tinha dito. Não chores, pequenina.
Pan abraçou-se a Bra que não se calava com os berros, o rosto
vermelho, os olhos bem fechados e a derramar lágrimas copiosas.
- Gomen nasai, Bra-chan…
Deixei-te sozinha naquele templo – disse a filha de Gohan. – Mas pensava que
tinhas conseguido fugir. Gomen nasai.
Oh, perdoa-me, amiga… Perdoa-me pelo que fiz. Prometo-te que não volta a
acontecer.
Bulma dirigiu-se a Vegeta furiosa.
- Eu não te disse que ela não estava bem? Baka!!
O príncipe empalideceu. Virou costas, cruzou os braços.
- Humpf!
Bulma saiu da sala levando Bra ao colo que continuava a chorar sem
parar. Pan foi atrás dela.
Esquecendo a pequena aventura de Bra no Templo da Lua, até porque não
pretendia melindrar ainda mais Vegeta, Goku começou com um grande suspiro e
relembrou que Zephir possuía as duas metades do medalhão de Mu e a rapariga da
Dimensão Real. Deveriam agir e sem demoras, aproveitando a ideia de Piccolo.
Gohan disse-lhes que Videl estava preocupada com ele e que deveria voltar para
casa. Goku concordou, embora relutante, mas sabia que o filho mais velho não
lhes seria de grande ajuda e também não o queria expor desnecessariamente aos
perigos que se avizinhavam.
Olhou em volta. A sala estava quase vazia e ouvia-se o zunido do ar
condicionado.
- Trunks e Goten… Onde estão?
- Saíram – respondeu Piccolo.
- Foram com Toynara?
Piccolo franziu a testa.
- Nani?
O livro de magia repousava fechado em cima da bancada onde o jovem
sacerdote o tinha deixado após a breve leitura.
- Eu não vi Toynara sair – confessou Piccolo.
Vegeta estranhou, espreitando-os por cima do ombro:
- Toynara não está aqui?
- Não, Vegeta. Só estamos cá nós – disse Goku.
Os três guerreiros entreolharam-se apreensivos. Foi Vegeta que reparou
na caixa aberta das cápsulas hoi-poi
em cima da bancada, junto ao livro. Faltava uma cápsula que, uma vez ativada, convertia-se
numa pequena aeronave monolugar, muito fácil de pilotar.
- Toynara fugiu – concluiu Goku.
- São todos iguais, esses malditos feiticeiros do Templo da Lua! Não
se pode confiar neles – resmungou Vegeta.
Piccolo não se espantou muito, compreendia a atitude do sacerdote.
Admirava-a também. E foi com admiração que comentou:
- Toynara foi para o Templo da Lua encontrar-se com o seu inimigo.
Tudo o que fez até aqui foi para regressar ao templo e tentar cumprir o seu
destino. Já o tentou uma vez, mas foi impedido de concluir o seu plano… Tem
estado a preparar-se sozinho e em silêncio para o confronto. Toynara e Zephir
têm velhas contas a ajustar.
- E não o devemos impedir outra vez, pois não? – Perguntou Goku.
- Não, não o devemos. As nossas preocupações devem centrar-se agora
nos guerreiros de Zephir e na rapariga da Dimensão Real que está no templo, com
ambas as metades do Medalhão de Mu.
Goku disse resoluto:
- Muito bem! Chegou a hora de atuarmos. O tempo esgotou-se. Vamos imediatamente
para o Templo da Lua e eliminar o feiticeiro. Não podemos adiar mais isto!
Vegeta concordou:
- Hai! É agora ou nunca.
Abriram uma janela e saltaram por esta, saindo dramaticamente da
Capsule Corporation. No céu azul foram três riscos brilhantes de energia por
entre as nuvens.
Nos jardins, Trunks e Goten viram-nos. Olharam um para o outro,
acenaram afirmativamente com a cabeça, chocaram punho com punho. Os corações
bateram em uníssono e a valentia encheu-lhes a alma.
Partiram a seguir.
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