A água fresca
foi como um bálsamo e uma bofetada, em simultâneo. Despertou. Escutou uma voz a
viajar do silêncio até ao mundo real onde recuperava os sentidos e as
sensações.
- Estás
acordado?
Respondeu:
- Hai… Estou acordado.
Goku abriu os
olhos, abanou a cabeça tonta. Sentou-se no chão húmido. Estava junto ao lago,
no Templo da Lua, recordou-se de rompante. Até as memórias tinham estado
espalhadas em terra de ninguém enquanto estivera inconsciente. Olhou para um
Piccolo esfarrapado e fatigado que se acocorava junto a ele. Confirmou, levantando-se:
- E já estou
melhor. Arigato.
Sacudiu a
cabeça. Confessou aborrecido:
- Kuso… Deixei-me apanhar por Ubo.
Distraí-me quando Keilo começou a combater contra outro super saiya-jin de nível três. Ainda pensei que podia ser Vegeta,
mas depois reconheci o ki de Gotenks.
Ubo foi muito rápido, atacou-me com um golpe forte e traiçoeiro. Ele não se
retraiu nunca, ao contrário de mim, que não consegui lutar contra ele na minha
força máxima… Maldito miúdo! Porque tinha ele que deixar-se enfeitiçar?
- Devemos tentar
entrar outra vez no templo, Son.
- Hai – concordou tenso, mas decidido.
- Estamos em
vantagem… Por enquanto.
- Honto?
- Os dois
demónios foram eliminados.
- Co-como?
Tens a certeza? – E depois confirmou que as auras de Julep e de Kumis já não
emitiam qualquer pulsação. – Mas eles não eram imortais?
- Alguém
descobriu a maneira de os matar. Sobram Keilo e Ubo. O saiya-jin está a combater nas montanhas, Ubo viaja de um lado para
o outro, ando a vigiar os seus movimentos mas não percebo porque é que entra e
sai do Templo da Lua. O que quer dizer que Zephir está sozinho.
- Vamos
salvar a Ana, então?
- Parece-me
que ela também já não está ali, Son. Não consigo sentir-lhe a aura.
- Hum… Tens
razão. A Ana não está ali. Temos uma oportunidade excelente para terminar com
isto.
- Concordo.
Avancemos!
- Apesar de
ser a solução que Vegeta detesta.
- Vegeta que
se dane!
Goku olhou
para o horizonte carmesim onde o sol acabava de se por. O príncipe estava bem,
lia-lhe pujança, energia e ganas no ki,
o que era estranho dado que se tinha enfrentado a Keilo.
Pouco depois,
os dois entravam no Templo da Lua.
Os kucris
apareciam guinchando, atacavam e eram eliminados no instante seguinte, sem
conseguirem deter os invasores que nem sequer se incomodavam com as suas
investidas ruidosas. Goku e Piccolo fritavam-nos simplesmente com disparos de
energia à medida que caminhavam pelos pátios e galerias do templo, atrás do ki negro do feiticeiro.
***
No refúgio
dos aposentos do Sumo-sacerdote, Zephir viu, através da clarividência da pedra
de cristal, a aproximação dos dois guerreiros. Gritou tomado de um pânico que
lhe encharcou o corpo magro de suor:
- Não!!!
Son Goku
estava a escassos metros dos aposentos e vinha acompanhado do gigante verde que
se chamava Piccolo. Os dois tinham deixado um rasto pestilento de morte atrás
de si, à medida que matavam sistematicamente os últimos kucris que defendiam
estoicamente o Templo da Lua.
Passou uma
mão apressada pela pedra de cristal e surgiu uma imagem brilhante.
- Keilo!
O saiya-jin regressava e ele respirou de
alívio. Era apenas uma questão de minutos e Keilo haveria de o defender dos
seus inimigos.
Observou a
imagem com mais atenção. Debaixo do braço do saiya-jin havia um borrão, algo que o poder da pedra de cristal não
conseguia atravessar, converter e interpretar convenientemente. Percebeu o que
era e soltou um urro triunfante, uma gargalhada selvagem:
- A rapariga!
No Medalhão
de Mu, os raios solares passavam de laranja a um quase vermelho intenso. Para
além de reagirem com o altar, também reagiam com a pessoa da Dimensão Real. Um
espetáculo magnífico de se observar.
Mais alguns
minutos…
O rosto
crispou-se de preocupação, de um medo visceral.
Mas talvez
não tivesse esses minutos. Son Goku estava horrivelmente perto, já lhe escutava
o som das botas, até lhe conseguia sentir o cheiro. Tinha de se defender
conforme sabia e haveria de ser o suficiente para ganhar os minutos de que tão
urgentemente carecia.
Os aposentos
nublaram-se com um nevoeiro cinzento-escuro que subia do chão. O som do vento a
chiar por entre as ramadas secas das árvores de Inverno encheu o compartimento.
Zephir transfigurou-se. Cresceu de tamanho, ficou mais pálido, as pupilas
tingiram-se de encarnado, os sobrolhos eriçaram-se. Os dedos moveram-se languidamente
num poderoso feitiço. A voz era rouca mas forte:
- Pelo poder
supremo da lua e das trevas… Invoco os demónios da Terra! Oh, Deusa-mãe, dai-me
o poder das criaturas demoníacas, das almas do Outro Mundo, dos diabos do
Inferno. Dai-me o poder da noite e o poder do sangue que jorra das entranhas do
mundo. – Levantou os braços e baixou-os, uniu as mãos e entrelaçou os dedos,
abriu e fechou os olhos. Concluiu com um berro desvairado: – Desejo o poder da
noite!
Uma implosão
de magia sacudiu os aposentos. O nevoeiro e os sons fantasmagóricos dissiparam-se
com um estalo.
Em seguida
sorriu, sentindo-se acompanhado.
***
As paredes
abanaram. Um terramoto de baixa intensidade sacudia os alicerces do edifício. Goku
parou e deu uma cotovelada em Piccolo para lhe chamar a atenção.
- Ouviste
isto?
- O quê?
- Pareceu-me
ouvir… um uivo.
- O templo é
assombrado – disse Piccolo aborrecido. - Já o devias saber, Son!
- Mas há mais
qualquer coisa…
O chão
abriu-se em enormes fendas e eles tiveram de saltar para escapar da lava
borbulhante que subia das profundezas e que se derramava das fendas.
- O que é
isto?!! – Exclamou Goku.
- Vamos
embora daqui!
Fugiram,
desembocaram numa sala larga.
Uma
gargalhada aguda feriu-lhes os ouvidos. De repente, a sala ficou repleta de gigantescos
demónios negros e peludos, ameaçadores e intrépidos. Goku e Piccolo colaram
costas com costas. Analisaram admirados os seus adversários.
O ataque
começou. Goku e Piccolo descobriram que os demónios não eram tão fáceis de
abater como os kucris. Assim que um tiro de energia os atravessava, estes
explodiam em bolinhas de luz branca mas reapareciam mais atrás ou mais adiante.
- Não se
consegue acabar com eles! – Gritou Goku.
Piccolo
rebentou com o teto da sala e escapou-se pelo buraco aberto. Goku seguiu-o.
Apareceram num dos pátios exteriores e assustaram-se. O lugar pejava-se de
demónios e de outros seres do Inferno.
- O que raios
aconteceu aqui? – Indagou Goku confuso.
- Foram
invocados por Zephir. O feiticeiro necessita de proteção e lembrou-se desta
ideia. Descobriu que estávamos aqui e quis evitar um encontro que terminaria
mal para o seu lado. – Sorriu de viés. – Hum! Nem mesmo o meu progenitor
pensaria num cenário destes!
Um diabo
gordo, com a pele escamosa de cor esverdeada e com umas asas minúsculas perto
da nuca, investiu contra Piccolo. Ficou logo inconsciente com uma joelhada e um
soco.
Piccolo puxou
Goku pelo ombro, que acabava de empurrar, com um disparo potente de ki, um trio de diabretes esguios como
varapaus, mas tenazmente aguerridos. Saltaram e ficaram a flutuar por cima do
pátio. O namekusei-jin disse:
- Eu fico
aqui, entretido com os antigos esbirros do meu pai. Regressa ao templo e
procura pelo feiticeiro.
- De certeza
que ficas bem?
Sorriu.
- Claro!
Acabo de reencontrar velhos amigos, Son!
Goku
sorriu-lhe de volta.
- Hai, Príncipe das Trevas. Diverte-te!
Mas perdeu a
boa-disposição ao ver, ao longe, Keilo aparecer com a Ana debaixo do braço. O saiya-jin sumiu-se entre as ruínas do
antigo Salão da Luz.
Uma nova
situação, mas que acabava por ser uma mera continuação do estado das coisas.
Zephir continuava a vencer.
Veloz como
uma seta, Goku mergulhou e tornou a entrar no Templo da Lua.
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