Vegeta
pressionou o botão do radar para aumentar a escala. O pontinho branco com o
número cinco piscou ao ritmo do bipe-bipe, no centro do radar. Baixou o braço.
A bola estava ali, a escassos metros.
Procurar
pelas bolas de dragão trazia-lhe memórias antigas. Só tinha havido uma vez que
as procurara e não tinham sido aquelas bolas de dragão e não tinha sido naquele
planeta. O azul e o verde desmaiado do planeta Namek entraram-lhe pelos
sentidos adentro e fechou os olhos, a ousar fazer o que não fazia amiúde:
lembrar. Porque não passava de uma lamechice.
Nessa época,
queria as bolas de dragão para conseguir a imortalidade. O facto de estar sob
as ordens de alguém que odiava e que descobrira depois ter sido o responsável
pelo desaparecimento do seu planeta e do seu povo, não combinava com o seu orgulho
de saiya-jin. Vegeta desprezava
Freeza com todas as forças e desde que o servia como mercenário conquistador de
planetas, que procurava um meio para escapar ao seu domínio, derrotá-lo e
eliminá-lo.
A
oportunidade surgira quando soubera da existência das bolas de dragão. Viera
até à Terra, acabara escorraçado por Kakaroto e pelos seus amigos, viajara depois
para Namek em busca das bolas de dragão originais. As coisas não correram como
tinha previsto; acabara por não conseguir reunir as sete bolas de dragão,
gorara-se a hipótese de se tornar imortal, mas combatera contra Freeza. Perdera
a vida, ressuscitara, Kakaroto atingira o poder dos super saiya-jin.
Desligou o
radar, o bipe-bipe irritava-o.
A sua vida
mudara muito desde o planeta Namek.
No lugar onde
estava a bola de dragão de cinco estrelas erguia-se uma pequena tenda para duas
pessoas. Olhou em volta impaciente e não viu ninguém. O bosque onde aterrara
naquele final de tarde estava em silêncio.
Não lhe
apetecia perder tempo. Viajara durante todo o dia até àquele sítio, atrás do
sinal que o radar lhe mostrava e não estava muito bem-disposto com a longa viagem.
Deu um pontapé na tenda, que caiu como um pano frouxo, arrancando cordas e
estacas. Enviou um disparo fraco de energia para desenterrar a bola de dragão.
- O que é que
pensas que estás a fazer?
Vegeta
virou-se.
- Quem és tu?
Dois homens
chegavam, um gordo e outro magro, com estilo de caçadores. Chapéu de abas, camisa aos quadrados, calças
justas, botas grossas. Carregavam espingardas ao ombro e armadilhas de ferro
nas mãos. Era o homem magro que o interpelava.
- Olha –
apontou o gordo –, destruiu-nos a tenda.
- Como é que
te atreveste, anão?
Vegeta ignorou-os.
Encontrou, na terra húmida, um brilho alaranjado. Apanhou a bola, levou-a à
altura dos olhos. A bola de dragão de cinco estrelas cintilou quando um raio de
luz incidiu diretamente no cristal. Ouviu o estalido de uma arma a ser
carregada.
- Estamos a
falar contigo, anão!
O magro
ameaçava-o com a espingarda. O gordo, mais lento, carregava a sua arma. Vegeta
semicerrou as pálpebras.
- Não
respondes, anão? – Insistiu o magro.
Já tinha o
que queria e podia ir embora e deixar aqueles dois imbecis a falarem sozinhos…
- Estragas a
nossa tenda e pensas que sais daqui sem pagar o que fizeste?
…mas achou
que os dois imbecis mereciam uma boa lição para não lhe falarem naquele tom.
- Será que
ele percebe? – Perguntou o gordo apontando a espingarda à testa de Vegeta.
- Percebe-nos
muito bem. Queres ver como ele percebe…
O dedo do
homem magro pressionou o gatilho. Era apenas um tiro de aviso que passaria ao
lado do alvo, só para assustar. Vegeta levantou uma mão e apanhou a bala.
Depois abriu o punho, mostrou-lhes a bala e esmagou-a entre os dedos.
O gordo
entrou em pânico. A espingarda que segurava começou a tremer.
- Como é que
ele fez aquilo?
O magro,
contagiado pelo medo do gordo, preparou um segundo tiro, desta vez dirigido ao
alvo. Vegeta largou o radar e a bola de dragão, apanhou o cano da espingarda. Torceu
o cano, arrancou a espingarda das mãos do magro com um safanão. Sem olhar para
o gordo também lhe arrancou a espingarda. Enrolou as armas numa bola e deixou
cair a amálgama de metal aos pés dos dois homens que estavam imóveis e pálidos.
Vegeta sorriu-lhes
e disse:
- Obrigado
pela companhia.
Agarrou na
bola de dragão e no radar, elevou-se nos ares. A sobrevoar as árvores, carregou
no botão, ligando novamente o pequeno aparelho. A escala aumentou, revelou-lhe
outra bola de dragão. O pontinho branco indicava o número sete. Rumou para a
localização indicada no mostrador verde.
De facto, a
sua vida mudara muito desde o planeta Namek.
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