O kucri converteu-se numa nuvem negra. Morreu num guincho abjeto e havia
terror nos seus minúsculos olhos vermelhos quando isso ocorreu. Keilo não se
compadeceu. Odiava os kucris.
Zephir surgiu à porta da câmara que se abria para aquele corredor.
Keilo parou, sem olhar para ele, fixando o fundo da passagem subterrânea. O
feiticeiro perguntou-lhe:
- Onde vais?
- Vou sair. Estou cansado de estar fechado.
- Não podes. Ordenei-te que ficasses no Templo da Lua, enquanto Julep
e Kumis procuram pelas bolas de dragão.
Keilo sorriu.
- Não devias estar preocupado, homenzinho. Afinal, és um feiticeiro
muito poderoso.
Sentiu uma pontada no crânio, como se alguém lhe estivesse a espetar
um prego devagar. Reforçou o sorriso, insistiu na rebeldia.
- Nada tens a temer… Dentro dos muros do templo, entre a tua magia,
estás a salvo.
- Estás aqui para proteger-me.
- Estou aqui para servir-te. – Acrescentou irritado: – Sei muito bem
disso. Não me afastarei demasiado. Se precisares de mim, virei rapidamente em
teu auxílio… sensei.
Cuspiu a última palavra, como se fosse uma pedra que se lhe enrolava
na língua. A boca sabia-lhe a fel. Aguardou uns segundos, enquanto recuperava a
pose, inspirando ruidosamente, sentindo a dor perfurante nos ossos da cabeça,
no cérebro, no interior escuro da alma. Mas Zephir nada disse. Recolheu-se na
câmara, trancou a porta e ele seguiu caminho pelo corredor.
No pátio principal, o ar exterior refrescou-lhe os pulmões. Tudo
estava mergulhado na mais entediante das calmas, não se previa nenhum ataque
eminente. Perscrutou o horizonte, não sentiu nada que pudesse significar uma
alteração daquela monotonia. O que era de estranhar, pois não percebia por que
razão Kakaroto, Vegeta e os outros não tinham regressado para mais um ataque,
quando o anterior combate fora repentinamente interrompido.
Abriu os braços, fez alguns movimentos circulares para desentorpecer
as articulações. Iria treinar-se, distrair-se. Odiava passar o seu precioso
tempo encerrado numa prisão pejada de seres detestáveis, a começar pelo feiticeiro.
Percebeu que estava a ser sondado pela magia de Zephir, uma mão esguia a
introduzir-se dentro dele, maleável e gelada. Sorriu.
- Hai, vem também treinar-te
comigo… sensei!
Saiu do Templo da Lua a voar.
***
Goku interrompeu um bocejo de aborrecimento e enfiou-se no meio das
plantas aquáticas quando o viu a cruzar os céus. Camuflou ainda mais o ki. Seguiu-o com o olhar até deixar de o
ver.
- Keilo… – sussurrou.
Apontou imediatamente os sentidos para o templo. Só lá estavam o
feiticeiro e os kucris. Era estranho… O feiticeiro atrevia-se a ficar sozinho
no Templo da Lua? Podia convocar Keilo para que o protegesse, em caso de
ataque, mas o saiya-jin ainda
demoraria algum tempo a regressar, mesmo que apelasse a toda a sua energia.
Era uma oportunidade que não podia desperdiçar. Ergueu-se, iria entrar
e roubar as três bolas de dragão. Não esperaria por Goten e por Trunks. Ou
poderia até acabar com Zephir… Levou dois dedos à testa.
Hesitou. Lembrou-se de outro detalhe. Faria um pequeno desvio antes.
Teletransportou-se e chocou com Vegeta em pleno ar.
- Kakaroto?!
- Vegeta…
O príncipe gritou-lhe:
- O que raio estás a fazer aqui, baka?
- Calma, Vegeta. Vim ter contigo para saber quantas bolas de dragão já
encontraste.
- Duas. O teu radar está avariado, por acaso? Podias ver no radar!
Os berros eram insuportáveis, mas ele conseguia ter muita paciência.
- Só me quis certificar que eras mesmo tu quem as tinha. Quando
consultei o radar e vi três bolas juntas, pensei que fosses tu. Sabes quem tem
essas três bolas de dragão?
- O feiticeiro.
- Ahn? Como é que sabes?
Vegeta mostrou-lhe a bola de dragão de sete estrelas.
- Para conseguir esta tive de lutar contra Julep. Foi assim que soube.
- Julep anda à procura das bolas de dragão?
- E presumo que o imbecil do irmão também ande.
- Hum… Os dois demónios procuram pelas bolas de dragão e Keilo ficou no
Templo da Lua para proteger Zephir. Faz sentido.
- O maldito feiticeiro quer as bolas de dragão para obter a segunda
metade do Medalhão de Mu. Teve a mesma ideia que nós.
Goku concordou com um aceno de cabeça.
- Vegeta, temos de ir já para o templo. Keilo acabou de sair e Zephir
ficou sozinho. Podemos recuperar as bolas de dragão e pedir o nosso desejo.
- Ótimo! Tu tens duas bolas de…
- Uma. Dei outra ao Piccolo.
- Nani?
- Ele apanhou-me no Templo da Lua, foi buscar Trunks e Goten para nos
ajudar e, como garantia, levou uma bola de dragão.
Vegeta disse cínico:
- Não vamos precisar dos rapazes.
- Não sabemos que dificuldades poderemos encontrar…
- Não me faças rir, Kakaroto! Sem Keilo a estorvar, vai ser fácil entrar
naquele templo e roubar as bolas de dragão. Só vamos ter kucris pela frente.
Goku disse:
- Estás pronto, Vegeta?
Com um gesto repentino, o príncipe puxou-lhe o braço.
- O que é que vais fazer?
- Vou utilizar a Shunkan Idou para
ir para junto de Zephir – explicou Goku confuso.
- Baka! Não faças isso! Se
apareces ao pé do feiticeiro, ele chama imediatamente por Keilo e a nossa
oportunidade desaparece… Não. Vamos entrar no templo discretamente, descobrir
onde estão as bolas de dragão e roubar-lhas. Quando ele se aperceber do que
estamos a fazer, será tarde demais… Apesar de detestar admiti-lo, não creio que
tenhamos a possibilidade de o eliminar. Já teremos perdido o efeito surpresa,
ele saberá que estamos dentro do templo, vai chamar por Keilo e pelos demónios.
E nós só teremos tempo para escapar e prosseguir com o plano inicial: conseguir
a segunda metade do medalhão de Mu com a ajuda de Shenron. Compreendido?
Os músculos de Goku descontraíram.
- Hai, Vegeta.
- Vamos. Com pouca energia.
- Vai levar uma eternidade – lamentou-se Goku.
- Damos tempo a que Trunks e Goten cheguem.
- Pensei que não querias a ajuda deles.
- Disse que não vamos precisar da ajuda deles. É muito diferente.
Os dois saiya-jin puseram-se
a caminho, a voar lado a lado.
- E como correu a tua busca pelas bolas de dragão? Tiveste encontros
estranhos?
- Não me apetece conversar, Kakaroto!
- Ah… Gomen nasai.
A viagem decorreu a uma velocidade moderada, quase a apanhar boleia do
vento, para que os ki não fossem
notados. Mas não haveria de ser muito longa porque Goku apercebeu-se olhando em
volta, reconhecendo a floresta que sobrevoavam, que Vegeta já estava muito
perto do local onde se situava o infame Templo da Lua.
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