O corpo de
Pan escaldava nos meus braços e eu entrava, lentamente, em desespero. O
silêncio que me rodeava era espantosamente massacrante. Pelo menos, os tremores
de terra e as explosões brilhantes tinham terminado e ousei pensar que o
combate já tinha terminado e que tinha terminado bem para o lado dos bons. Gohan
viria para nos salvar, a mim e à filha.
Claro que
viria…
Mais uma vez,
o triângulo dourado ao meu pescoço ajudou-me a conciliar a calma necessária
para enfrentar aquela situação. A espera, a doença da miúda, o meu desamparo.
Agarrei-o, marquei as arestas na palma da mão. Aconcheguei Pan no meu colo o
melhor que pude, beijei-lhe os cabelos. Estavam molhados de suor.
A floresta
que nos rodeava era estranhamente repousante e, quando me apercebi, tinha
dormitado.
Despertei de
repente e pus-me de pé. Vi-o a correr para nós.
- Gohan! - Exclamei.
E depois
arrepiei-me porque ele estava magoado e tinha o dogi esfarrapado.
- Ganhaste?
Não me
respondeu. Os olhos abriram-se muito ao ver que eu tinha a filha dele nos
braços.
- Pan-chan!
Onde é que a encontraste?
Claro que
tinha ganhado, pensei. Senão, não estaria ali. Respondi-lhe:
- Ela é que
me encontrou. E se não o tivesse feito… não sei onde estaria eu neste momento.
No fundo de um
abismo, esborrachada, adiantei, mas só para mim.
Passou uma
mão pela testa da miúda. Franziu o cenho.
- O que é que
se passa com ela? Está tão quente.
- Ficou
assim, de repente. Levava-me com ela, a voar, quando perdeu os sentidos e
caímos nesta floresta. O que acabou por ser uma sorte, pois as árvores
amorteceram a queda.
- Ela estava
ferida?
- Hai, tinha um ferimento na cara. Lavei-o
com água e o ferimento… desapareceu. Não deixou sequer uma cicatriz. Mas depois
ficou com febre.
Ele apertou
os dentes, ficou tenso. Tinha um aspeto desolador, todo arranhado e
ensanguentado, mas com aquela expressão tornou-se temível e recuei um passo.
- Kucris. Pan
sempre esteve no Templo da Lua. Kuso!...
- Nani?
- E dizes que
lhe deste água? Mas deveria ter-se curado totalmente. Não percebo como é que
apareceu esta febre…
- Curado só
com água?
Respirou
fundo.
- Ana-san,
não podemos perder mais tempo neste lugar. Estamos demasiado perto do Templo da
Lua e não desejo enfrentar-me aos demónios do feiticeiro ou ao saiya-jin que ele comanda. – Reparou no
medalhão e fez um esgar de desagrado. – Ainda por cima, tens contigo a segunda
metade do Medalhão de Mu.
- Decidi usá-lo.
- Hum… Não
sei se é uma decisão acertada, mas não quero discutir isso agora. Vamos embora!
Concordei com
um aceno de cabeça.
Passou um
braço pela minha cintura.
- Arigato – disse-lhe eu.
Ficou
atrapalhado.
- Nani?... Porque é que me estás a
agradecer, Ana-san?
- Lutaste por
mim… Salvaste-me.
Sorriu-me com
uma candura desarmante e senti o meu coração dar um salto.
- E tu também
salvaste a minha filha. Eu é que te devo agradecer.
Sorri-lhe e
ele corou. Fletiu os joelhos, a preparar o impulso e foi então que me lembrei.
- Espera! Pan
trazia com ela aquele livro que está ali. Não o largava nem por nada. Se dizes
que ela esteve no Templo da Lua, então o livro veio de lá e deve ser
importante.
Sem me soltar
a cintura, dobrou-se, apanhou o livro e entregou-mo, perguntando-me se eu
conseguia carregar com Pan e com o livro, ao mesmo tempo. Respondi-lhe que sim.
Gohan agarrou-me com mais força e eu preparei-me para a viagem.
Levantámos
voo e dirigimo-nos para a Capsule Corporation.
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