As gaivotas
esvoaçaram num grande alvoroço, a piar ruidosamente e a largar penas. Davam
meia volta depois de se afastarem, simulavam um ataque para proteger os ninhos
abandonados momentaneamente.
- Malditos
bichos!
Vegeta
estendeu um braço para disparar um raio que acabasse de vez com aquelas aves irritantes,
mas deteve-se. As gaivotas fugiram, perderam-se atrás das falésias.
O rochedo que
se levantava imponente no meio do mar, próximo da praia, estava pejado de
ninhos. Vegeta aproximou-se de uma saliência onde, no meio dos raminhos, se encavalitavam
vários ovos sarapintados. E também uma bola. Acercou-se. As gaivotas por cima
dele piaram aflitas, mas não ousaram descer. Agarrou na bola de dragão e saiu
dali, voando para o cimo do rochedo.
Contou na
segunda bola de dragão que recuperava sete estrelas. Preparou-se para consultar
o radar e prosseguir a busca, perguntando-se quantas bolas de dragão já teria Kakaroto
reunido.
- Não
esperava encontrar-te, saiya-jin.
Voltou-se. Detestava
ser surpreendido pelas costas, o instinto colocava-o imediatamente na
defensiva. Ao encarar quem o interpelara, sentiu-se tolhido pela surpresa.
Apertou a bola de dragão e disse entre dentes:
- Julep!
- E tu também
não esperavas encontrar-me.
- O que é que
fazes aqui?
- Uma
resposta adequada seria que estava à tua procura. Penso que deixámos um combate
pendente…
Vegeta
rosnou.
- Mas não,
não te procurava. O nosso encontro é um mero acaso, saiya-jin.
O demónio provocava
com um sorriso presunçoso. Vegeta resistiu à tentação de o atacar. Queria saber
primeiro o que fazia ele ali, num rochedo no meio do mar. Julep analisava-o
lentamente, repassando com os olhos cada centímetro e, de repente, perdeu o
sorriso. Espantou-se com o que descobria e Vegeta, por sua vez, descobriu que a
causa do espanto estava na sua mão.
Exibiu a bola
de dragão, voltando as sete estrelas para o demónio.
- Procuravas
por… isto?
Julep cerrou
os punhos.
- Maldito!
- Também
procuras pelas bolas de dragão? Não… Tu não passas de um escravo, ao serviço do
feiticeiro. O que quer dizer, que Zephir procura pelas bolas de dragão. Para quê?
A gargalhada
de Julep foi forçada e nervosa.
- E julgas
que te vou dizer?... Baka!
Vegeta
guardou a bola de dragão.
- É minha –
sentenciou. – Se quiseres levá-la para o feiticeiro, terás de ma tirar.
As ondas do
mar batiam na base do rochedo. Nos céus, o sol brilhava abrasador, as gaivotas
voejavam ruidosas. Os dois guerreiros entreolhavam-se com desprezo, imóveis,
antecipando cuidadosamente o confronto.
Julep sorriu.
- Será tão
fácil!
- Veremos,
demónio.
- No fim do
combate, arrancarei a bola de dragão do teu cadáver.
Num gesto
brusco, Julep uniu as mãos diante de si. Criou um aro de energia vermelha, que
se desprendeu e precipitou-se para Vegeta. Seguiu-se outro aro e outro ainda e
mais outro. Quatro argolas vermelhas a crepitar de energia. Vegeta aumentou o
seu ki e desviou-se do ataque de
Julep com um simples salto. O demónio avisou:
- Não adianta
saltares. Vão perseguir-te!
De facto, os
quatro aros travaram e tomaram novo rumo em busca do alvo. Vegeta não se
surpreendeu. Aquela técnica era patética. Os quatro aros aproximavam-se,
assobiando quentes. No instante em que o impacto parecia inevitável, Vegeta desapareceu.
Julep não escondeu
o assombro. Os aros realizaram uma travagem brusca, iniciaram uma viagem ao
acaso pelo céu. O demónio procurava pelo adversário. Não era capaz de senti-lo
e a sua irritação aumentou.
Nisto, o
espírito de Vegeta voltou. O primeiro reflexo de Julep foi o de reenviar os
quatro aros para o saiya-jin. O
segundo reflexo foi o de olhar para a retaguarda, onde o saiya-jin o olhava com uma serenidade desconcertante. Vegeta derrubou
Julep com um pontapé. Com apenas uma mão enviou uma descarga de energia que
dissolveu os quatro aros em bolhas escarlates brilhantes.
Vegeta esperou
que Julep se levantasse. Assim que se pôs de pé, derrubou-o com um segundo pontapé.
O tempo
quedou-se suspenso.
Julep
ergueu-se. Da garganta arrancou um brado selvagem, na exata medida da sua ira.
O rochedo balançou, pedaços de rocha separaram-se e foram mergulhar nas ondas
do mar que se encrespavam com o sismo criado. Vegeta, a prever o aumento de intensidade
do combate, mudou para super saiya-jin.
Julep atacou.
Vegeta desviou-se dos golpes, aparou outros, só pelo prazer de anular o ataque
do demónio. Quando se cansou da exibição, socou Julep em pleno nariz. A cabeça
do demónio foi atirada para trás. Gritou com a potente patada que recebeu no
abdómen. Tombou de costas no extremo do rochedo, rachando-o.
As unhas de
Julep arranharam a rocha dura.
O bramido do
mar era ensurdecedor.
Sem vacilar,
Vegeta uniu os dedos da mão levantada, esticou o braço e disparou um raio de
luz. Julep fixou o raio e foi a última coisa que viu. A explosão arrastou-o
para o mar e para o esquecimento. Julep morria. Era já um corpo sem vida quando
foi levado por uma onda que embateu furiosamente no rochedo.
Contudo,
Julep era imortal. Vegeta matara-o apenas para ganhar tempo.
A brisa
carregada de maresia misturou-se com o odor a queimado. Vegeta baixou o nível
energético, o brilho dos super saiya-jin
deixou-o. Depois, saiu dali a voar, a toda a pressa. Retesou o rosto, os
punhos, os braços, o corpo inteiro. Fugia, tinha plena consciência de que o fazia
e isso irritava-o profundamente. Para contrapor à aparente cobardia, pensava
que estava certo em fugir… Não se podia alongar em combates eternos contra
inimigos imortais. A situação mudara. Zephir também procurava pelas bolas de
dragão e estava seguro que era pelo mesmo motivo que ele e Kakaroto as
procuravam: a segunda metade do Medalhão de Mu.
Agarrou no
radar do dragão, ajustou-o para uma escala maior. Encontrou o que procurava num
instante. Três bolas de dragão juntas e outras duas iam a caminho dessas três.
Zephir e… Kakaroto! As duas bolas de dragão pertenceriam a Kakaroto, não teria
tido tempo, tal como ele, para encontrar mais do que duas. Despistado e ingénuo
como era, certamente que pensara que quem tinha as três outras era ele, Vegeta,
e ia ao seu encontro para reunirem, de uma assentada, cinco bolas de dragão.
- Kuso!
Com as que
possuía, contou sete.
As sete bolas
de dragão tinham sido encontradas.
E se não
chegasse demasiado tarde, as sete bolas de dragão pertenciam-lhes.
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