O raio de Vegeta destruiu tudo o que havia à frente numa rajada
impressionante. O rombo da primeira parede prolongou-se por sucessivas paredes
até atingir o exterior, volatilizando alguns kucris pelo caminho. Normalmente,
Goku não apreciava os métodos bruscos do príncipe, mas, naquele momento, não
tinha nada a opor. Era urgente saírem o quanto antes daquele lugar. Keilo já
tinha regressado ao Templo da Lua.
Com o cofre prateado debaixo do braço, Vegeta avançou pelo túnel que o
raio criara a chamar:
- Kakaroto… Vamos!
Quando alcançaram o exterior, a primeira coisa que lhes chamou a
atenção foi o combate que acontecia nos céus. Keilo lutava contra Goten, Trunks
assistia ligeiramente afastado. O saiya-jin
empurrava o adversário com uma saraivada de pequenos raios que Goten amortecia
numa concha protetora que formara com as mãos. O ar fervia com aquele combate.
O que tinham vindo fazer ao Templo da Lua estava feito e podiam ir
embora, mesmo que soasse ligeiramente a cobardia. Era a vez de eles esquivarem
o confronto.
Keilo e Goten faziam uma curta pausa, para recuperar o alento. Vegeta
saltou; Goku ia também saltar quando algo lhe chamou a atenção, para a esquerda.
Junto aos portões, dois vultos enfrentavam-se, envolvidos em estranhas
esferas luminosas – uma de cor vermelha, outra de cor azul. As esferas
faiscavam e de cada vez que duas faíscas se encontravam anulavam-se. As
vibrações que soltavam eram funestas. Goku forçou a vista e reconheceu os
vultos. Dirigiu-se para lá.
Vegeta viu-o.
- Mas onde é que vai aquele palerma?… Kakaroto?!
- Já vou ter contigo.
As esferas crepitavam e aumentavam de tamanho e a sua luz esbatia-se
no processo. As duas esferas separavam-se por milímetros. Se se tocassem
anulavam-se, tal como acontecia com as faíscas e o mundo sofreria um abalo
cósmico.
Goku agarrou em Toynara. O jovem sacerdote não se debateu, deixou-se
apanhar. Aquilo era apenas um corpo, o espírito vaguearia algures numa luta
qualquer contra Zephir. Puxou-o para o lado, com o outro braço enviou um raio
que penetrou a esfera vermelha do feiticeiro. A enorme bola oca tremeluziu, a
desfazer-se lentamente, levando a imagem de Zephir. Numa baforada de fumo e num
estampido surdo, o pátio ficou vazio.
O feiticeiro voltava a escapar-se por entre os seus dedos. Como raios
fazia para desaparecer tão depressa?
O tempo era precioso e Goku levantou voo com Toynara, preso no seu braço.
Os kucris entravam no pátio aos guinchos em busca dos invasores que se
escapavam. O rapaz continuava apático e ele preocupou-se:
- Toynara-san, estás bem?
Não lhe respondeu, nem deu sinal sequer que o ouvira. O olhar
fixava-se com toda a intensidade no Templo da Lua que abandonavam.
Vegeta juntava-se a Trunks e a Goten, que aumentava o ki para mais um embate contra um Keilo
furioso e excitado. Goku vinha a caminho e gritou:
- Vegeta! Rapazes! Preparem-se para sairmos daqui!
- Nani?!! – Admiraram-se Trunks
e Goten ao mesmo tempo.
Keilo redobrou a fúria e a excitação.
- Kakaroto! Nem penses que te vou deixar sair daqui!
Goku entregou Toynara a Vegeta tão de repente que não lhe deu tempo
para protestar.
- Leva-o e afasta-te tu também daqui. Eu trato de Keilo!
- O que raios vais tu fazer?
- Vou proteger a nossa fuga.
- Como?
- Vão! Depressa!
Trunks agarrou no cofre prateado que Vegeta lhe estendia e entregou
Toynara a Goten, que o recebeu atrapalhado. Depois, saiu a voar na direção
oposta ao templo e os dois rapazes seguiram-no. Keilo urrou cada vez mais
furioso.
- Queres ir embora, cobarde? Não! Hoje, vou eliminar-te.
Goku levantou os dois braços, juntou as mãos, uma de cada lado da
testa, dedos abertos, palmas voltadas para dentro. Na mão de Keilo cresceu uma
bola encarnada de energia.
- Acabou-se, Kakaroto.
Naquela bola estava o poder suficiente para rebentar com a Terra. Atrás
dele, percebeu que Vegeta, Goten, Trunks e Toynara estavam muito longe, a
salvo. Chegava o momento de atuar. Sem
perder o sangue frio, Goku atacou.
- Taiyou-ken!
O clarão provocado estendeu-se pela paisagem a engolir todas as formas
numa vaga de luz tão forte e brilhante que era impossível de contemplar. Keilo
ficou cego, levou aflito as mãos aos olhos com um grito de espanto. Goku transformou-se
em super saiya-jin e saiu dali a voar
a toda a velocidade. Alcançou-os num ápice.
- Vegeta!
O príncipe travou o voo, Goten e Trunks fizeram o mesmo.
- Vou utilizar a Shunkan Idou
para sairmos daqui o quanto antes. Os efeitos da taiyou-ken não duram muito e Keilo vai perseguir-nos. Agarrem-se a
mim.
- Vais teletransportar-te para onde?
Levou os dedos à testa.
- Para junto de Piccolo. – Fez uma cara preocupada. – Hum… O ki é fraco. Piccolo está ferido.
Trunks alarmou-se.
- Ferido? A Ana está com ele!
- Mais uma razão para irmos embora daqui.
A viagem instantânea aconteceu e chegaram às montanhas.
O dia findava e o vento arrefecia o ar com as suas rajadas isoladas. Piccolo
sentava-se num tronco caído. Levantou a cabeça dorida quando eles chegaram.
- Piccolo, dai jó cá? – perguntou
Goku.
- Hai – respondeu o namekusei-jin a levantar.se, limpando os
restos de sangue da boca. –Não te preocupes. Assim que chegar ao Palácio
Celestial, Dende vai curar-me. Encontrei-me com Julep. O maldito seguiu-me
desde o Templo da Lua e sabia que tinha uma bola de dragão comigo. – Reparou em
Toynara, pálido e mudo, ao lado de Goten. – Hum?... O que é que fazes aqui?
O sacerdote não respondeu.
- Já temos todas as bolas de dragão?
- Hai, Piccolo.
Trunks perguntou, depois de ter verificado que a cabana tinha desaparecido
e que a clareira se tinha transformado numa cratera pouco profunda:
- Onde está a Ana?
- Mandei-a fugir para a floresta e entreguei-lhe a bola de dragão. Se
o combate corresse mal, não a queria por perto. O demónio poderia raptá-la e
roubar-nos a bola de dragão.
- Fizeste bem – concordou Goku.
- Não se pode dizer que o combate tenha corrido bem – provocou Vegeta.
- A rapariga da Dimensão Real e a bola de dragão estão a salvo. O
resto é secundário.
Piccolo virou costas ao príncipe dos saiya-jin.
- Oiçam lá! – Interrompeu Trunks, devolvendo o cofre prateado ao pai.
– A Ana está sozinha na floresta e está a anoitecer. Deve estar cheia de medo.
Vou…
Mas Goku adiantou-se.
- Serei mais rápido a encontrá-la e a trazê-la de volta. Vou eu.
Uniu os habituais dois dedos à testa e partiu.
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