A sua segunda derrota.
Zephir esmurrou o livro de magia. A raiva consumia-o. Chegava a ser física,
visceral.
- Son Goku… Son Goku! Hei de destruir-te!
O altar parecia vazio sem o cofre prateado das bolas de dragão. Gostava
de admirar aquele tesouro que lhe chegava às mãos em prestações. Uma, duas,
três bolas de dragão… quatro, cinco, seis, todas! Depois pediria o seu desejo e
seria um deus.
Mas aquele guerreiro das estrelas, que tinha uma tenacidade invulgar e
a fortuna a sorrir-lhe sempre que as probabilidades não lhe eram favoráveis,
tinha-lhe roubado o tesouro e derrotara-o, mais uma vez.
Esmurrou outra vez o livro de magia.
E como se não bastassem os guerreiros das estrelas que protegiam a
Terra, tivera a visita inesperada de Toynara que ousara regressar para
desafiá-lo. Só que, também naquele assunto, Son Goku interpusera-se no seu
caminho e travara a morte tenebrosa que ele preparava para aquele maldito
sacerdote que não conseguira morrer da primeira vez que se tinham enfrentado.
Esmurrou uma terceira vez o livro de magia.
- Zephir… Sempre que te encontro estás irritado.
Sentiu um calafrio com aquela voz. Não se voltou para encarar o
espírito. Apoiou as duas mãos no altar, as costas curvaram-se, fazendo com que
a cabeça desaparecesse entre os ombros.
- O que queres daqui, Babidi? – rugiu.
- Venho saber como é que estão a correr as coisas. Já há muito tempo
que não te visitava.
- Não tenho que te dar satisfações.
- Que descaramento! Estás a utilizar a minha magia. Se não fosse a
minha magia, não terias conquistado o Templo da Lua tão depressa.
O ódio dentro dele aumentou ao ouvir o espírito continuar:
- Nem terias tudo o que tens agora. Foi com a minha magia que criaste
os kucris, que chamaste os demónios Julep e Kumis. Foi com a minha magia que convocaste
o poder do maior guerreiro do Universo: o lendário super saiya-jin… E dizes que não me deves satisfações? Esqueces que
és poderoso graças a mim?
Encarou Babidi. O espírito sorriu-lhe, como se zombasse dele.
- Dei-te tudo, meu caro Zephir. O mínimo que espero de ti é que não me
trates com esse desprezo e essa ira sempre que te encontro. Ah, escondes muito
bem os teus sentimentos debaixo desse rosto impassível, mas leio-te claramente.
Afinal, sou superior a ti.
De repente, Zephir atirou pela mão escanzelada uma mancha de luz
amarela. O espírito esticou os braços magrizelas para deter a mancha que se
colava ao seu corpo imaterial, mas mesmo esticando-se e desviando-se não
conseguiu escapar. Ficou aprisionado numa pequena esfera transparente que
Zephir fez pousar na mão. Sorriu com o resultado.
- Isto não é a tua magia. Isto
é a minha magia – disse.
- És um ingrato! Ofereci-te o meu conhecimento para conquistares o
Universo e pagas-me desta maneira?
- Não devias ter aparecido, Babidi.
Zephir contemplou com desdém a esfera que cabia na mão. Era agora dono
do espírito de Babidi que dominava totalmente. Nunca mais haveria de o
surpreender com visitas inoportunas. Essa pequena vitória ajudou-o a esquecer a
frustração daquele dia.
O espírito começou a lamentar-se, as mãos assentes na esfera:
- Só a mim é que acontecem estes azares. Sou sempre enganado. Com o
meu livro conheceste todos os meus feitiços e é assim que me agradeces. Atraiçoando-me!
Antes de ti, foi Majin Bu. É por
causa dele que não passo de um espírito insignificante. Quis dar-lhe o
Universo, mas também foi um ingrato. Majin
Bu… Bu?
Calou-se. Os olhos minúsculos, alucinados, procuravam por algo fora da
esfera, fora do santuário. Zephir não se comoveu com a sua agitação.
- Se alguma vez pensaste que iria ficar debaixo das tuas ordens só
porque utilizo a tua magia – disse –, foste ingénuo… Nunca devias ter confiado
em mim, se é que alguma vez isso aconteceu.
- Bu… – balbuciou o espírito. – Majin
Bu… Estou a sentir a aura de Majin Bu.
- Hum?... Que dizes? Falas daquele que te matou?
- Sim, a criatura que Bibidi, o meu pai, criou para destruir o
Universo. Sinto-o perto daqui. Majin
Bu…
Zephir semicerrou os olhos.
- Se me queres enganar, para que te liberte da minha magia, perdes o
teu tempo.
- Não! É verdade… Majin Bu
está perto.
- Como queres que acredite em ti? Son Goku destruiu Majin Bu!
- Vê na tua pedra de cristal e verás que não minto.
A curiosidade fez Zephir vacilar. Chamou a pedra a si.
As primeiras imagens não mostraram nada de invulgar. Apareceu o pátio,
os muros do templo, o lago, a floresta, o horizonte azulado. Nisto, um vulto de
um rapaz que dormia recortou-se entre os arbustos, na margem mais afastada do
lago.
- É ele que emite as vibrações de Majin
Bu! – Apontou Babidi eufórico.
De facto, havia algo de estranho naquele rapaz. Algo sombrio,
profundo, imprevisível e maléfico.
Zephir contemplou-o com avidez.
Na pedra de cristal via-se a imagem de Ubo a dormir.
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