Quando tinha corrido pela primeira vez para o Templo da Lua
impulsionado pelo apelo mudo de Piccolo, não chegara a combater a sério.
Enfrentara os kucris, mas esses bichos eram tão fracos que até podiam ser derrotados
por Mr. Satan. Agora, iria combater a sério.
Recordou-se. O seu último combate a sério tinha acontecido havia muito
tempo. E curiosamente tinha sido com aquele adversário que se preparava para
enfrentar. Majin Bu. Claro, não se
iludia com o aspeto dele, o corpo era o de Ubo mas a alma era torcida e maligna
como a criatura de Babidi. Aquele “M” na testa era a prova inegável desse
facto.
Ubo veio furioso, atacou como um cometa desgovernado. Gohan foi ao
encontro dele, chocaram no céu e criaram uma explosão que abafou a paisagem
numa onda de calor e de luz.
Entreolharam-se, as faíscas crepitando e silvando em redor dos corpos
tensos. Braço com braço. Dentes arreganhados. Cabelos revolvendo-se.
Ubo recuou, ganhou espaço. Gohan conseguiu respirar, uma única
inspiração. Não o queria combater, mas sabia que não o conseguiria chamar à
razão. Os olhos inflamados e vermelhos denunciavam o feitiço que o comandava. A
linguagem corporal era assustadoramente idêntica à de Majin Bu.
Ubo esticou os braços por cima da cabeça e formou uma imensa bola rosa
cintilante. Atirou-a. Gohan voou para trás, criou duas pequenas esferas de
energia e lançou-as contra a bola rosa, que se desfez em milhentas estrelas.
Conseguiu anulá-la no limite, percebeu como o ataque fora ingénuo, quase
infantil, contorceu-se ao perceber como estava destreinado. Não aguentaria
muito mais contra alguém que estava numa excelente forma e que utilizava a
força surpreendente de um inimigo que fora imbatível no passado.
Os pensamentos distraíram-no da segunda bola rosa cintilante. Gohan
encheu o peito de ar, gritou e apanhou a bola com as duas mãos. A energia era
imensa, viva e perigosa, como uma besta feroz de um mundo tenebroso. Custou-lhe
dominá-la. Apertou os maxilares, rugiu determinado. Haveria de o conseguir.
Espreitou Ubo através daquele filtro rosa e descobriu aterrado que tinha sobre
a palma das mãos que erguia sobre a cabeça uma terceira bola.
O suor escorria-lhe pela testa. Gohan enviou o ataque para os céus num
esforço titânico, sentindo a sua própria energia a ser levada. A bola tornou a
explodir num conjunto de estrelas.
A terra tremeu com violência. Mais adiante, alguns rochedos
desprenderam-se, formando uma avalancha que resvalou ruidosamente para um
abismo.
A terceira bola rosa cintilante ameaçava-o. Não tinha maneira de a
evitar e recebeu-a, encolhendo-se, protegendo o rosto com os braços, puxando os
joelhos para o abdómen, apelando ao seu ki,
vazando a mente, mantendo um resquício de um pensamento perturbador: não
deveria ter vindo.
Desapareceu na explosão que criava estrelas lindas, mas mortíferas.
A convulsão era escaldante. Quase que se deixava ir, mas recordou o
sorriso torcido que vira na cara transtornada de Ubo e agarrou-se a esse fiapo
de esperança para se resgatar do remoinho perigoso que o queria sugar.
Sentiu-se derrotado.
O fumo dissipava-se e já conseguia respirar. Afrouxou os músculos,
espreitou por entre os braços. Tentou focar o ki, Ubo escondia-se da sua perceção.
Umas mãos vigorosas agarraram-se aos seus tornozelos. Antes de
conseguir reagir, sentiu um impacto súbito e doloroso na cara e caiu na terra
dura. Os ossos estalaram.
Limpou o sangue da testa, soergueu-se. Estava zonzo, mas recuperou os
sentidos à pressa ao escutar o silvo característico de alguém a aterrar
rapidamente e a controlar a aterragem. Ubo inclinou a cabeça para a esquerda,
fez um esgar. Soltou uma risada grave que lhe incendiou os olhos vermelhos.
Farejara certamente o sangue, gostara e vinha por mais.
Gohan levantou-se, de pernas trémulas.
Iria tentar mais uma vez. Ainda era cedo para abandonar o combate… A
Ana não estava suficientemente longe. Atacou com um pontapé, Ubo baixou a
cabeça, atirou um uppercut e Gohan
sentiu o maxilar vibrar. Saltou para escapar de um tiro energético de Ubo que
ia direito ao seu peito e que acabou por abrir um buraco numa parede rochosa
atrás dele.
Alarmou-se. Combatiam até à morte.
No ar, desviou-se de outro tiro. E outro e a seguir outro e depois
mais outro. Quando descortinou uma ligeira hesitação, no momento em que Ubo
afinava a pontaria, ergueu os dois braços por cima da cabeça e gritou:
- Masenko!!!
O ataque atingiu o sítio onde Ubo estava, que o esquivou saltando. Acercou-se
dele rindo, escarnecendo da sua pouca habilidade, provocou-o com um soco
denunciado. Gohan desviou-se com facilidade, mas era mesmo para ser fácil, era
mesmo para se desviar. A raiva surgiu dentro dele, fria e venenosa. Ubo
mostrou-lhe o dedo indicador, negando suavemente, dizendo-lhe que ele não
precisava de raiva. De facto, não precisava de mostrar mais truques, porque
aquilo não passava de uma brincadeira e Ubo poderia rematar a luta quando
quisesse.
Gohan sentiu a ferroada no orgulho.
Mas ele era filho de Son Goku, pensou cada vez mais enraivecido,
nadando desesperadamente para fugir da desilusão desse pensamento.
Gohan gritou selvaticamente, pernas e braços abertos. Gritou para si
mesmo, exorcizando a frustração que o tolhia e investiu.
O céu foi o palco seguinte daquele duro combate.
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