Julep mergulhou de cabeça. Piccolo esticou os braços e das mãos saíram
um sem fim de bolas amarelas que explodiram sucessivamente em cima do demónio
caído. Ao dispará-las, ia elevando-se no ar, enquanto gritava com todo o alento
permitido pelos pulmões.
As bolas energéticas formaram uma bolha gigante de energia. Piccolo pendeu
os braços, ofegante a observar como a bolha palpitava e faiscava. Até que
rebentou, arrastando tudo numa vaga destruidora de fogo. A cabana desapareceu e
a clareira onde se situava aumentou de tamanho.
Fixou a cratera, a recuperar o fôlego. Uma árvore esturricada caiu
devagar, com um som crepitante. Procurou pelo demónio no meio do fumo, esperava
que o tivesse ferido gravemente. Ganharia tempo para se afastar dali e
reunir-se a Goku, que deveria precisar da ajuda dele contra o feiticeiro.
No entanto, quando uma rajada de vento dissipou os últimos fiapos de
fumo, a cratera apresentou-se vazia.
Susteve a respiração, acometido por uma sensação de fracasso.
O espírito do demónio surgiu ameaçador nas suas costas. O namekusei-jin tentou defender-se, mas
falhou. Recebeu um golpe em cheio na base do pescoço que o fez perder o
equilíbrio. Embateu no chão com uma dor insuportável, que o paralisou. Os
joelhos do demónio enterraram-se no estômago e cuspiu uma golfada de sangue
lilás. Quis gritar, mas não tinha ar para fazê-lo.
A voz que o interpelava veio distorcida:
- Pensei que valias a pena.
Gemeu. Arrastou-se pela terra ressequida. Quando sentiu os restos
calcinados de uma árvore, apoiou-se nestes mas estava tão fraco que não
conseguiu erguer-se.
O combate estava perdido. E com apenas dois golpes.
Encheu os pulmões magoados, cuspiu mais sangue. Tentou impulsionar o
corpo, as pernas tremiam, fincou os pés no solo. A tentativa era inútil, os
movimentos eram patéticos. Mas ele tentava até à exaustão pôr-se de pé. O
demónio riu-se com gosto.
- Perdeste, namekusei-jin.
Voltou-lhe as costas, concedia-lhe a humilhação de não o achar em
condições para ser um adversário à sua altura. Abandonava-o a rir-se.
Mas Piccolo também se riu. O demónio olhou-o desconcertado. Riu-se alto,
em enormes gargalhadas, animado pela expressão desnorteada de Julep.
Soergueu-se, um joelho assente no solo.
- Onde vais tu? Procurar pela rapariga da Dimensão Real e pela bola de
dragão? Não o deves fazer… Deves regressar ao Templo da Lua, o feiticeiro
precisa da tua ajuda.
O demónio rangeu os dentes.
- Son Goku está no templo… Vai roubar as bolas de dragão ao teu
mestre. E tu aqui, a divertires-te a combater-me. Zephir vai ficar realmente
muito satisfeito ao descobrir como defines as tuas prioridades.
Apreciou a fúria que se lia nos terríveis olhos vermelhos de Julep.
- Este combate foi apenas para ganhar tempo – rematou.
Julep urrou num assomo de raiva e elevou-se nos ares como um foguete. Dirigia-se
o mais rapidamente que podia para o Templo da Lua.
A vitória afinal, acabara por ser sua. Piccolo sorriu.
Os olhos do namekusei-jin
turvaram-se. Já não era preciso continuar a fingir… Caiu no chão queimado da
clareira, completamente esgotado.
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