Ubo apanhou Gohan pelos farrapos da túnica do dogi.
O sabor férreo do sangue, primeiro, o ardor do impacto, depois,
ajudou-o a despertar. Ubo socava-o e tornava a fazê-lo com requintes de
malvadez. Com os olhos turvos de dor e de fadiga, Gohan percebeu o sorriso
maligno do adversário.
Tempo de agir.
As forças eram poucas, a energia quase nenhuma. Mas a vontade, essa,
era inabalável. Ele era um saiya-jin.
O punho fechado de Ubo viajava de novo para a sua cara. Com as duas
mãos, Gohan golpeou-o na base do pescoço. Largou-lhe a túnica. Acertou-lhe com
o antebraço no meio da cara, esborrachando-lhe o nariz e depois afastou-se.
Ganhou uma curta distância, para respirar apenas, porque Ubo recuperou depressa
e atacou mais depressa ainda. Mal teve tempo para se defender das pancadas que
se abateram sobre ele. O confronto corpo-a-corpo foi curto e duro. Apanhou com um
pontapé em cheio no estômago e caiu de costas. Um espasmo doloroso assaltou-o.
Soergueu-se, levantou-se, endireitou-se o melhor que foi capaz.
Um raio de luz cegou-o.
Preparou-se para o embate e ouviu os músculos estalarem com a pressão.
Ubo estava na outra extremidade do raio, braço estendido, mão de dedos abertos.
Na cara persistia o sorriso malvado.
Talvez não tivesse outra oportunidade e preparou-se para arriscar tudo
naquela jogada.
O calor do raio avermelhado chegou-lhe à pele. Cerrou os dentes. Ubo
não esperaria um contra-ataque; quanto muito, apenas uma defesa incompleta. A
energia daquele raio era imensa.
Saltou, com todo o seu querer arranjou forças no fundo da alma, tão
ferida quanto o corpo. A sua velocidade surpreendeu Ubo. Ainda tinha o braço
estendido a comandar o raio quando Gohan lhe apareceu na retaguarda.
O raio explodiu, libertando labaredas enormes e pedaços de pedra
fumegante.
Ubo voltou-se ao senti-lo atrás de si, rosnando enraivecido. Gohan esmurrou-o
com todo o seu empenho, fazendo-o dar uma volta no ar, cair de cara para baixo
e enfiar-se contra o rochedo, cavando neste a forma do seu corpo.
Gohan saltou, uniu as duas mãos.
- Kamehame…
Ubo mexeu-se.
- Ha!!!!
A explosão abalou as montanhas.
Depois do ataque, Gohan reuniu o resto das suas energias. O corpo
cintilou e partiu.
Fugia.
Um enorme pedregulho caíra sobre o local onde a vaga azul embatera. Ubo
tinha desaparecido, engolido pelo entulho e pela explosão. Mas não estava
ferido. Ainda tinha muito para dar naquele combate.
Mas Gohan não.
Por isso fugia.
Sabia que era cobardia, mas nada mais poderia fazer. O seu orgulho de saiya-jin doía-lhe, mais do que qualquer
ferida que lhe cobria o corpo arranhado, amassado e ensanguentado, mas ele era
consciente dos seus limites. Demasiado consciente. Conseguira ganhar o tempo
necessário para que a Ana fugisse e o que se propusera fazer, estava
feito. E fora impecavelmente eficiente.
Isso não o consolou e, amargurado, chorou enquanto fugia.
***
Ubo viu-o afastar-se. Sorriu. O ataque com a Kamehame tinha sido bom. Fora uma pequena amostra do que o filho de
Son Goku conseguira, em tempos, fazer. Observava-o enquanto lhe dava espaço e
esperança de que conseguiria fugir dele. A seguir iria persegui-lo e iria
terminar aquele combate. Sem qualquer piedade.
A seguir, procuraria pela rapariga da Dimensão Real e pelo Medalhão de
Mu. Sem qualquer hesitação.
A voz de Zephir chamou-o. Apagou o sorriso. Esqueceu a adrenalina de
uma quase perseguição, o predador farejando o sangue quente da presa, e seguiu
o apelo do mestre.
Sem comentários:
Enviar um comentário