- Bulma, o
que foste tu fazer? – Gritou Goku em pânico.
Ela descalçou
as luvas amarelas, tirou o boné da cabeça. Tinha vindo das oficinas, onde interrompera
os trabalhos no segundo motor da máquina das dimensões para vir participar na pequena
reunião que iria acontecer na Capsule Corporation. Soubera que Goku tinha
chegado para falar com Vegeta e o assunto seria certamente o feiticeiro. Queria
estar a par das novidades.
Vegeta olhava
para Goku com um olhar vazio. Bulma disse:
- Não estou a
perceber a tua reação, Son-kun. Lembro-te que Zephir não é apenas assunto
vosso, é também assunto deste planeta e de todo o Universo. Tive uma ideia e
tentei ajudar, só isso.
- Mas enviar
Ubo atrás de Toynara! Isso era o pior que podias ter feito…
- Porquê?
Goku
explicou:
- Dende
avisou-me que Ubo não podia saber que Zephir existe, quanto mais contactar com
um dos sacerdotes desse templo. Está bem, a culpa também é minha, nunca devia
ter perdido Ubo de vista, mas tenho andado ocupado com outras coisas… Enfim.
Ubo é a reencarnação de Majin Bu e
Zephir serve-se da magia de Babidi.
Ela
compreendeu.
- Ah!...
Zephir poderá enfeitiçar Ubo e virá-lo contra nós.
- Pois…
- Isso seria
terrível. A força de Majin Bu era
imensa.
Goku
concordou com um aceno, cruzou os braços imitando a postura de Vegeta.
- Não me
agradava nada ter de combater contra Ubo.
- Uma das
vantagens de Majin Bu era ser imortal
– disse Vegeta. – Nós eliminámos Majin Bu
várias vezes, só que ele conseguia reconstruir-se de cada vez que o fazíamos em
pedaços. Ubo não tem essa capacidade, não é imortal. Poderemos derrotá-lo
facilmente.
- Não quero
eliminar Ubo – protestou Goku. – Ele é meu aluno. Seria como combater contra um
dos meus filhos…
- Pfff…
Estamos em guerra, não há lugar para esse tipo de sentimentalismos.
- Vegeta –
avisou Goku sério. –, se Zephir chegar a enfeitiçar Ubo contra nós, terás de
passar primeiro por cima de mim para lutar com ele.
- E
passarei!... Sem qualquer problema.
Bulma
intrometeu-se entre os dois.
- Rapazes!
Vamos esquecer Ubo por um momento, está bem?
Goku
acalmou-se, Vegeta voltou-lhe a cara.
- Mas onde é
que ele está, Bulma? – Perguntou Goku preocupado. – Não o enviaste antes de ontem
para o Palácio Celestial? Já tinha mais do que tempo para ir e voltar para cá com
Toynara.
- Ora, não
aconteceu nada – sossegou ela tentando acreditar nas suas próprias palavras. –
Provavelmente, Toynara não quis vir com ele e Ubo deve estar escondido, cheio
de vergonha, porque não conseguiu fazer o que lhe pedi. Ou talvez tenha voltado
para a sua ilha. Afinal, não passa de um miúdo.
- Pois… –
Goku, pensativo, apoiou o queixo numa mão. – Ou talvez Toynara já não estivesse
no Palácio Celestial. Agora que me lembro, Toynara estava no templo, quando
roubámos as bolas de dragão ao feiticeiro.
- Honto?
- Hum-hum.
- Estranho… E
por que razão Dende deixou Toynara ir embora e logo para o Templo da Lua? E não
nos disse nada?
Goku encolheu
os ombros. Tentou mais uma vez, mas o ki
de Ubo continuava invisível à sua perceção. Ou melhor, fugia-lhe elusivo,
troçando das suas tentativas, esgueirando-se para as sombras fazendo-lhe uma
careta. E depois desse curto exercício, ficava incomodado e não se demorava na
busca.
- Kakaroto,
não foi para falarmos sobre o teu aprendiz que vieste, pois não?
A impaciência
de Vegeta cortava a direito, mais uma vez, dividindo o espaço e fazendo pender
o campo para o seu lado. Bulma suspirou, sempre incorrigível aquele saiya-jin.
- Não. Vim
para saber o que pensas fazer agora – disse Goku. – Qual é a tua ideia?
- Bem, estamos
em vantagem sobre Zephir. Temos a intrometida e a segunda metade do Medalhão de
Mu.
- Por que é
que não a chamas pelo nome? – Perguntou Bulma.
Vegeta
olhou-a espantado, a observação fora totalmente descabida. Prosseguiu, a olhar
para ela de cenho franzido, indicando que não toleraria outra interrupção
daquele calibre:
- O
feiticeiro vai empregar-se a fundo para recuperar a intrometida – vincou a palavra de propósito – e o medalhão.
- Também
penso o mesmo. O que significa que vai enviar os seus guerreiros atrás da
rapariga. Sabe que somos nós que a protegemos, o ataque será em força para ter
alguma hipótese de vitória. Vai ficar sozinho no templo e confia que nós vamos
estar tão ocupados que não vamos ter a oportunidade de o atacar. Aí é que ele se
vai enganar… Nós vamos atacá-lo. Eliminamos o feiticeiro e os guerreiros, que
foram feitos com a magia dele, desaparecem com o feiticeiro.
Viu o
desagrado na expressão de Vegeta.
- O que foi?
- A tua ideia
é uma mer…
- Vegeta! –
Cortou Bulma com um grito.
- O que foi?!
- Porque é
que não gostas da minha ideia?
- Estás com
medo de te enfrentar aos guerreiros do feiticeiro, Kakaroto?
- Não, mas o
que eu disse vai acontecer. Zephir vai querer raptar a rapariga e levar o
medalhão e poderemos ter aí uma oportunidade.
Vegeta rangeu
os dentes.
- Nunca farei
algo tão cobarde, Kakaroto. Atacar o feiticeiro e esquivar-me aos seus
guerreiros… Sou um saiya-jin, raios!
- Eu também
sou um saiya-jin e prefiro, tanto
como tu, um confronto direto. Mas sempre que temos enfrentado os guerreiros de
Zephir têm uma surpresa reservada para nós. Os demónios são imortais, Keilo
atinge o nível três dos super saiya-jin
e sabe-se lá que mais níveis…
- E depois? –
Vegeta forçou um sorriso. – Quando estivemos na Dimensão Real aproveitámos para
nos treinarmos com aqueles corpos estranhos, o que nos ajudou a melhorar as
nossas capacidades. Também nós temos uma surpresa reservada para aqueles
malditos.
Goku
concordou com um ligeiro aceno:
- Hai. Realmente, este último combate
contra Keilo foi diferente do primeiro… O saiya-jin
lendário já não me pareceu tão terrível.
- Então,
cobarde! – Vegeta cuspiu subitamente irado. – Enfrenta-te ao saiya-jin do feiticeiro que eu lido com
os demónios. Poderão ser imortais, mas devem ter algum ponto fraco.
- O que quer
dizer que enquanto vocês enfrentam os guerreiros, poderemos enviar Trunks ou
Goten, com o apoio de Piccolo, para eliminarem Zephir no templo.
Olharam os
dois para Bulma.
Um apito
agudo estilhaçou a cena, fazendo-a estremecer. Acabava de ser contactada. Levou
a mão ao bolso, onde guardava o intercomunicador portátil que utilizava para
receber as mensagens comunicadas pelo computador central que geria a Capsule
Corporation. Era uma forma de controlar o vasto complexo, desde simples informações
sobre refeições até lembretes sobre reuniões de negócio importantes.
- Nani? – Vegeta parecia ainda mais irado.
- A ideia de
Son-kun parece-me boa – defendeu-se ela, tocando no intercomunicador portátil
–, não a devemos desperdiçar. Quando Zephir se atrever a atacar-nos para levar
a Ana e o medalhão, vocês defendem-na, desafiando os guerreiros que ele enviar
para fazer esse trabalho. Entretanto, temos uma equipa preparada para o assalto
ao templo, procurar o feiticeiro e eliminá-lo.
- Que ninguém
se atreva a acabar com o feiticeiro enquanto eu estiver a lutar com os demónios, ou mesmo com Keilo!
- Vegeta, não
podes ser assim tão egoísta! – Gritou Bulma. – É o nosso futuro e o futuro do
Universo que está em jogo!
- Acho que
devemos aproveitar todas as oportunidades – murmurou Goku cauteloso. Não
pretendia irritar o príncipe ainda mais.
Mas Vegeta já
estava irremediavelmente irritado.
- E depois?! Kuso! O futuro do Universo já esteve nas
nossas mãos noutras ocasiões e conseguimos sempre salvar o maldito Universo.
Tens medo de não estar à altura, Kakaroto?
- Não, Vegeta,
não tenho medo. Mas quero muito que isto acabe em bem, para nós e para todos os
que nos são queridos. Lembro-te que as bolas de dragão já não nos poderão
ajudar se qualquer um de nós perder a vida.
- Não me
importo de perder a vida a combater – replicou com arrogância.
- Sabes
também que não me importo de sacrificar a minha vida para salvar o Universo –
contrapôs Goku. – Já o fiz uma vez.
Vegeta
rosnou, a corar violentamente. Recordava um episódio do passado deles que o
incomodava acima do suportável, que ocorrera durante o Cell Games. Bulma
retirou o intercomunicador portátil do bolso.
- Mas não
podemos entregar a nossa vida sem pensar. E se morrermos demasiado cedo? O
feiticeiro vencerá e o nosso sacrifício será em vão…
- Não
deixarei o feiticeiro vencer! Ofendes-me ao fazer essa insinuação.
- Está bem… Gomen nasai, Vegeta, não te queria
ofender. Mas pensa na minha ideia. Bulma concorda com ela!
Vegeta
desviou o olhar, cruzou os braços. Ficara tenso.
- Então,
diz-me: o que queres fazer… hoje?
Goku ficou
sério, os sobrolhos uniram-se por cima dos olhos.
Bulma olhou
para o minúsculo ecrã do intercomunicador portátil e começou a ler a mensagem
que lhe tinha sido endereçada, enquanto continuava atenta à conversa.
- Vamos falar
com a Ana… Ela tem de saber o papel que vai ter nesta história, daqui para a
frente. Precisamos que o feiticeiro saiba onde é que ela se esconde para que
venha atrás dela.
- Servirá de
isco… Achas que conseguirá fazê-lo? Poderá ter medo.
- Ela confia
em mim… Acho que a vou conseguir convencer, se falar com ela. Eh…
Estranhou a
hesitação dele, Vegeta encarou-o. Notou uma gota de suor escorrer-lhe da testa,
semicerrou os olhos desconfiado.
- O que é que
se passa?
- Eh… A rapariga
é engraçada! – Exclamou e coçou o cabelo com um dedo, a sorrir como um pateta.
– Talvez porque vem de outra dimensão e porque nos conhece a todos… não é,
Vegeta?
- Nani? – Soprou a tentar perceber o que
raios tinha acontecido entre ele e a intrometida. Não tinham estado sozinhos o
tempo suficiente para que pudesse ter acontecido alguma coisa, pensou. Mas a
reação daquele idiota era mesmo muito estranha.
- Também
podemos pedir a Trunks que fale com ela. Confia mais nele do que em mim, certo?
Afinal, interagiu com ele.
- Kakaroto… O
que é que a intrometida anda a inventar?
- Nada.
- Hum?
- Eh… nada,
Vegeta. Ela e Trunks… Bem...
De repente,
Bulma gritou agarrada ao intercomunicador portátil com as duas mãos. Goku
suspirou de alívio com a interrupção, não gostava do rumo da conversa, não
sabia o que explicar. O abraço da Ana na noite anterior, antes de utilizarem as
bolas de dragão, tinha sido inédito e não conseguia muito bem lidar com isso.
Mas também ficou preocupado com o grito da amiga. Bulma acrescentou, lívida:
- Vegeta… A
Bra desapareceu!
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