Que aborrecimento!
Maron atirou o livro de banda desenhada à parede do quarto e atirou-se
para a cama, com os braços estendidos atrás da cabeça. Estava farta de estar
fechada, para sempre sem fazer nada, a contar os dias que passavam tão
lentamente como lagartos ao sol.
Era verão e ela não o podia aproveitar decentemente porque não pertencia
àquele lugar e não devia misturar-se com as pessoas daquela dimensão. Era
injusto! Essa lei que tinham inventado não se aplicava a todos. Trunks divertia-se
e ela não podia divertir-se. Tinha de ficar fechada naquele quarto daquela casa
horrorosa.
Foi até à janela que estava aberta, os cortinados oscilavam
brandamente com a brisa noturna. Ficou a olhar para as sombras, sem realmente
ver nada de interesse, a pensar que teria de libertar o seu interior
aprisionado. Ou gritava até à exaustão ou fugia até ao fim do mundo.
O que era curioso e divertido era que moravam próximos uns dos outros,
em casas parecidas. Tanto ela, como os seus pais, Mr. Satan e Mr. Bu, Gohan-san
e Bulma-san, mais as respetivas famílias, habitavam vivendas num sítio que se
chamava urbanização das Gambelas. Os outros estavam nas cercanias. Alguns na
cidade, na ilha que servia como praia por aquelas bandas e na serra que se via
da sua janela, ao fundo, onde tremeluziam as luzinhas das casas. Duas dessas
luzes pertenceriam à casa de Chi-Chi-san e à casa de Ten-san.
Encostou-se à parede junto à janela.
- Já chega!
A menina bem comportada tinha acabado. Ela também tinha o direito de
se divertir, desde que não interagisse com ninguém – e a própria palavra
interagir dava-lhe vómitos porque estava farta de a ouvir.
Mas o seu pai haveria de ter um ataque quando lhe dissesse que queria dar
um passeio à cidade. Kuririn tivera um desses ataques quando, no dia mais
quente do ano, lhe tinha pedido para ir até à praia.
Pois, o seu pai podia ter os ataques que quisesse, que a ela não lhe
importava nada! A partir dali tudo iria mudar. Obedecera a Kuririn durante sete
meses e fora mais do que suficiente. Apenas tinha concordado em ficar reclusa
na própria casa, porque pensou que não iria ficar ali tanto tempo.
A partir do dia seguinte, tudo iria mudar.
Satisfeita com a decisão, de consequências imprevisíveis, deitou-se
novamente na cama, sorriu e pôs-se a sonhar de olhos abertos com as aventuras
na Dimensão Real.
Começaria por procurar por Trunks.
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