Então, tal como Zephir havia ditado, todos aqueles que faziam ou
tinham feito parte da vida de Son Goku, foram transportados para a Dimensão
Real por um remoinho negro e repentino.
Deixaram, pura e simplesmente, de existir na Dimensão Z.
Não souberam o que os tinha atingido, até ser tarde demais.
Os primeiros tinham sido Goku, Gohan, Vegeta, Trunks e Piccolo.
Depois…
Na Capsule Corporation, Bulma. Arranjara finalmente coragem e uma boa
desculpa, agarrava no auscultador para telefonar a Chi-Chi.
Na sua casa, Chi-Chi e Gyumao. Ela lamentava-se, lavada em lágrimas,
que sentia que alguma coisa tinha acontecido a Goten e o seu pai tentava
acalmá-la com a sua habitual paciência.
No Palácio Celestial, Dende e Mr. Popo. O Todo-Poderoso deixou cair o
seu bordão de madeira porque acabava de ouvir o discurso de Zephir.
A caminho do Templo da Lua, Ten Shin Han. Tentava alcançar o templo,
sabia que os acontecimentos precipitavam-se para a tragédia.
Na casa perto das montanhas, Chaozu. Esperava inquieto o seu
companheiro de longa data.
A voar com todas as suas energias, Pan e Bra. Queriam chegar ao tal
sítio onde se combatia, apesar de a filha de Vegeta já se ter queixado do
cansaço e de que era demasiado longe, apesar de a filha de Gohan estar a
fartar-se dos queixumes da amiga.
Em casa, Videl. Preocupada, não conseguia fazer mais nada a não ser
esperar por Gohan. E ainda Mr. Satan, que revia os últimos rascunhos da sua
biografia, Mr. Bu e Beh, que trocavam brincadeiras e doces no jardim.
No Centro Comercial, Kuririn, número 18 e Maron. Tinham ido comprar
roupa nova para a filha e ele, atafulhado de embrulhos e sacos, seguia a mulher
que não resistira e também resolvera atualizar o seu guarda-roupa.
Numa esplanada, Yamucha e Puar. O último ia apontando uma ou outra
rapariga mais bonita ao seu desinteressado amigo, que sorvia pensativo o seu
batido de chocolate.
Na ilha, Ubo. Comia uma fatia generosa de melancia, com a mente
perdida no tal sítio longínquo onde o seu mestre combatia.
Na torre, Karin e Yajirobe. O mestre tentava concentrar-se nas
perturbações que sentia no planeta, mas o outro insistia em anunciar que lhe apetecia
uma generosa peça de carne para o almoço.
Numa floresta, número 17 treinava-se. Tinha a espingarda caçadeira
encostada a uma árvore.
Na sua ilhota, Mutenroshi, Oolong e a tartaruga do mar. O velho mestre
desfolhava uma daquelas revistas suas preferidas, sentado na cadeira de praia,
o porco, atrás dele, espreitava as fotografias e ria-se com ele, enquanto a
tartaruga descansava ao sol.
Junto a um apeadeiro abandonado, Lanch. Preparava um assalto ao
comboio-correio que estava quase a aparecer por detrás daquela escarpa, naquela
curva fechada que o obrigava a uma velocidade reduzida.
E todos os outros.
O velho índio Bora e o seu filho Upa, com a sua família. Na sua aldeia
do norte, Suno e o robot número 8. O
lutador Nam, o monstro Giran. Na sua casa distante, a ler a sua bola de
cristal, Babá, a adivinha.
Muitos outros que se cruzaram com Son Goku ao longo dos anos, que ele
conhecera na sua infância, na sua adolescência, quando se tornara num homem.
Todos…
Foi necessário apenas um segundo. Uma parcela insignificante de tempo
e todos desapareceram.
No segundo seguinte, apareceram. Noutra dimensão, noutra vida, noutros
corpos.
A mesma alma, porém.
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