- Não achas que estás a fazer o que não deves?
Videl tinha acabado de se enfiar debaixo dos lençóis, depois de ter
apagado a luz do candeeiro da mesa-de-cabeceira e, ao contrário do que
costumava fazer, não o abraçou e não deitou a cabeça no peito dele. Gohan
estranhou. A indiferença e a pergunta.
- Do que é que estás a falar?
- Das aulas de japonês. – E sublinhou. – Da Ana-san.
- Ah, a Ana-san…
- Vegeta-san disse-te para parares com as aulas de japonês.
- Eu não parei com as aulas por causa de Vegeta, parei porque o meu
pai me pediu.
Gohan suspirou. Não era coisa que lhe agradasse, ceder à insistência da
rapariga que praticamente lhe implorava para ter as aulas de japonês, mas
também não se importava muito porque não desgostava totalmente dela. Ao contrário
de Videl, que demonstrava uma grande antipatia que ele considerava injusta.
- Além disso, para mim, tinha sido mais uma interrupção. Até a
situação se acalmar para o nosso lado – desculpou-se.
- Já está mais calmo?
- Pelo menos, a polícia deixou de aparecer por aqui.
Gohan agarrou a mulher pela cintura, puxou-a de encontro a si,
enterrou a cara nos cabelos dela. Começou a beijar-lhe o pescoço.
- Gohan?
- Hum?
O calor do corpo dela era inebriante.
- Tenho medo dessa Ana.
Aquela afirmação abanou-o. Deixou de beijá-la.
- Nani?
- Vamos interagir com ela, eu sei.
Gohan olhou-a nos olhos.
- Quem é que vai interagir com ela? Eu? Nós?
- Não sei. Mas é um pressentimento que tenho.
Não era antipatia, afinal. Era medo. Gohan abraçou-a com aqueles
abraços fortes que a derretiam, que a faziam sentir segura, que ela adorava.
Murmurou-lhe ao ouvido:
- Não vai acontecer, Videl. Ninguém vai interagir com ninguém.
Mas não acreditou nas suas próprias palavras. E teve a impressão que
Videl também não.
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