Abriu a janela do quarto e entrou em silêncio. A noite tornara-se
subitamente desagradável, estranhamente mórbida e triste. Era para ser
diferente e divertida, mas acabou mal no preciso momento em que prometia ser o
que Maron queria que fosse.
Fechou a janela. Tinha chegado a voar. Ela não tinha um carro como
Trunks e, mesmo que o tivesse, não o usaria, para que o pai não soubesse que
ela andava a desobedecer às suas ordens. A técnica Bukuujutsu era mais útil e mais discreta.
Trunks não lhe saía do pensamento. Vira nele um olhar atormentado
quando desatara a correr pelo parque de estacionamento afora. A morte de Son Goten
era o problema. Trunks fazia o que fazia porque na consciência tinha o peso
daquele seu ato horrível.
Devia dormir, acordar descansada para um novo dia e discernir melhor sobre
aquele assunto, mas ela não queria dormir. Como poderia dormir com a lembrança
daquele olhar, com a lembrança daquela frase?
“Porque não, se sou culpado?”
Mas por que estúpida razão Trunks não acreditava que iriam regressar à
Dimensão Z? Ele, acima de todos, devia saber que iriam embora daquela maldita Dimensão
Real, pois ele era o mais sério candidato a interagir com alguém.
Deixou-se ficar à janela. Esperava pela chegada do Toyota vermelho à
urbanização. Iria falar com Trunks, ter uma conversa franca. Havia de lhe abrir
o coração, confessar o que sentia por ele, pedir-lhe, implorar-lhe que deixasse
aquele caminho de autodestruição e de pena por si próprio.
Estava disposta a esmurrá-lo, se ele se recusasse a querer conversar
com ela.
Observou as sombras da noite apreensiva, antecipando, de algum modo,
uma espera em vão. Mas não iria desistir, mesmo que tivesse de ficar ali
durante dias a fio.
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