O kucri agarrou no fio preto, atravessou bamboleante a câmara, ligou a
extremidade numa caixa branca situada junto ao rodapé e afastou-se no mesmo
andar tosco.
Um zumbido incómodo e constante encheu o ar da sala. O cofre, no
centro do compartimento, iluminou-se com uma luz suave, de uma cor azulada.
Keilo debruçou-se sobre o cofre, observou-o lá dentro. Abanou a cabeça, sem
perceber o que esperava conseguir o feiticeiro com aquilo. Afinal, não tinham
vencido?
Os três últimos kucris que estavam na sala debandaram assim que Zephir
entrou.
- O que é isto? – Perguntou o saiya-jin
sem rodeios.
- Estás interessado em saber?
Keilo voltou-se.
- Para que é que o queres?
- Caso não tenhas percebido, ele não estava morto. A ferida era grave,
podia ter perdido a vida se eu não tivesse atuado a tempo. Estou a curá-lo…
- Não respondeste à minha pergunta, Zephir.
O feiticeiro preferiria um pouco mais de submissão. Afinal, o “M”
tatuado na testa significava que lhe pertencia. Só que Keilo não era totalmente
controlável, o que poderia ser complicado nos tempos vindouros.
- Para que é que o queres? –
Insistiu.
- Poderá ser-nos útil, no futuro.
O saiya-jin soltou uma
risada forte e breve.
- Eu não sou suficiente para os teus planos, é isso? Precisas de outro
saiya-jin?
- Talvez.
- Ele nem sequer é um saiya-jin.
É só meio saiya-jin. É como o outro…
- Pelo que sei, podem ser mais fortes do que os saiya-jin puros.
Keilo franziu a fronte, mal-humorado.
- Não existe um saiya-jin
mais forte do que eu em todo o Universo. Já te esqueceste que sou o lendário super saiya-jin?
- Não, não me esqueci.
Zephir olhou para o rosto do rapaz, enterrado no gelo. Deitava-se num
cofre comprido, semelhante a um caixão, feito de chumbo escuro com uma tampa de
vidro. Estar ligado à corrente elétrica fazia-o zunir e dava-lhe aquele brilho
azul. Por entre o gelo, havia um líquido viscoso esverdeado que tinha poderes
curativos e regenerativos.
- Eu também quero este – prosseguiu. – Daqui a sete ou oito dias
estará curado e vou fazê-lo meu, com a ajuda da magia do Makai. Mais um
guerreiro nas minhas fileiras não será demais. Será até muito bem-vindo.
- Hum! – Keilo cruzou os braços.
- Vai ser divertido! – Zephir sorriu, passou uma mão pelo vidro do
cofre. – Vai ser divertido vê-lo lutar contra o próprio pai.
Keilo estranhou:
- Kakaroto?! Ele vai regressar à Dimensão Z?
- Claro que vai! Tens dúvidas disso?
- Mas se ele regressar…
- Ele sabe os perigos que corre, Keilo. Sabe qual é o jogo que está
sobre a mesa. Mesmo assim, vai jogá-lo, irá fazer tudo para regressar. Terá de
regressar para me destruir. Afinal, prometeu-mo antes de partir.
- Estás muito confiante! – Rosnou o saiya-jin.
- A vitória será sempre minha. Também eu quero que Son Goku regresse à
Dimensão Z. Preciso de alguém da Dimensão Real, porque só dessa maneira
conseguirei a imortalidade. Reinar até ao fim dos tempos como senhor absoluto
do Universo!…
A ideia era fantástica e Zephir estremeceu de emoção. Olhou Keilo de
esguelha.
- Se Son Goku não regressar, o jogo perde a piada. Ele e os seus
companheiros ficarão presos para sempre na Dimensão Real e terei vencido sem
vencer. Não quero isso.
Subiu os degraus de pedra, atravessou a porta e sumiu-se nos
corredores escuros dos subterrâneos. Foi para o seu santuário, estudar o seu
precioso e agora muito amado livro de magia.
Keilo fixou o cofre, encolheu os ombros. E que lhe importavam as
maquinações do feiticeiro? A ele só lhe interessavam os combates e a fúria das
batalhas. Pensando bem, até era bom se Kakaroto regressasse. Gostaria de voltar
a enfrentá-lo.
Depois, também saiu da câmara e deixou o cofre de Son Goten para trás.
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