Risos soltos.
Calor. O cheiro a verde do bosque das mil e uma brincadeiras. O sol
brilhava no céu muito azul de um verão perdido no calendário do passado.
Risos.
- Gostaste desta?
- Gostei.
- Foi o meu pai que me ensinou a técnica.
- Interessante, mas fraca.
- Pelo menos, ficaste com o nariz a sangrar.
- Uma coisita de nada.
- Se é uma coisita de nada, por que é que estás a sangrar?
- Quero que penses que me podes atingir. Assim, não desistes logo.
- Bah! És um convencido! Inventas sempre uma desculpa qualquer para
ficares por cima.
Os pássaros piavam nas árvores, escondidos na folhagem que filtrava a
luz do sol.
- Não é bom estar de férias? Não fazer nada… Poder brincar o dia
inteiro.
- Hai. É uma maravilha.
Deitaram-se na relva, mãos atrás da cabeça, sorriso franco, olhos
brilhantes.
- Vais ser sempre meu amigo, Trunks-kun?
- Claro!
- Sempre, sempre?
- Não te vais ver livre de mim tão facilmente, Goten-kun!
- Somos irmãos.
- Companheiros…
- …de combate!
Trunks sentou-se.
- Continuamos os treinos? Vá lá, Goten-kun. Não sejas preguiçoso!
- Eu não sou preguiçoso. – Goten mostrou-lhe aquela cara aborrecida, a
fazer beicinho, a olhá-lo de baixo para cima.
Os dois miúdos entreolharam-se e Trunks desatou a rir
A cara de Goten era tão engraçada! Piscava os olhos, admirado por ele
se estar a rir.
A cara de Goten era a cara de Goku quando os dois tinham a mesma
idade. Os cabelos espetados e muito negros, os olhos redondos, o rosto cheio.
Os treinos. Outro combate entre saiya-jin.
O calor do verão era agora o calor dos seus corpos dourados. Os super saiya-jin.
Trunks atacou, Goten defendeu.
A cara de Goten mudou quando cresceu. Perdeu a cabeleira
característica que o fazia idêntico ao seu pai. Vegeta tinha comentado que isso
iria acontecer porque só os saiya-jin
puros mantém o mesmo estilo de cabelo, que nunca cresce, para toda a vida.
Dor.
Delírio.
A cara de Goten sorria-lhe. Trunks mal acreditava nas novidades.
- Eu não te disse?
- Não pode ser.
- Ganhei a aposta. Estou na universidade. Agora sou, como tu, um
estudante universitário.
Um ardor a comer-lhe as entranhas. Um corpo pesado, estranho, frágil,
a saber-lhe a sofrimento. Era seu apesar de não ser seu. Trunks gemeu. À sua
volta, movimento. Ele próprio era movimento, mas estava deitado, imobilizado.
No verão antes de Majin Bu.
Trunks e Goten a correr pela relva, a saltar pelas pedras, a subir pelas árvores.
Perseguiam lagartos, insetos.
- O nii-chan vai começar a
estudar em Satan City.
- Gohan-san?
- Hai.
No rio, a tomar banho. A água fresca salpicava por todos os lados.
Goten pescava peixes enormes, Trunks colecionava-os na margem.
- Sabias que o ’tousan
costumava pescar aqui?
- Goku-san?
- Sim. Gostava tanto de o conhecer. Era muito forte!
- O meu pai é mais forte do que ele.
- Mentira!
A cara indignada de Goten. Depois riram-se. Tudo se perdeu no torvelinho
dos risos.
- Nunca te cansas, Trunks-kun?
- Nunca! Eu sou um saiya-jin!
As sirenes estavam longe demais, mas ele ouvia-as, mesmo parecendo
estar dentro de uma campânula que abafava os sons do mundo.
Dor.
- Ele perdeu muito sangue.
- Está tudo preparado para o receber?
Vozes estranhas que vinham também de longe, tal como as sirenes.
Trunks tentou mexer-se. Frio. Gelo.
A cara de Goten sorria-lhe. Porquê?
- Go… Goten –
murmurou Trunks.
- Parece que está a despertar.
- Atenção!…
Uma ambulância que corria contra o tempo.
A cara de Goten… Trunks sorriu com Goten.
Quase, quase…
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