Trunks assobiava,
descontraído. Abriu o frigorífico. Retirou queijo, fiambre, manteiga, uma
embalagem de ovos, uma alface, maionese, um pacote de sumo de laranja. Colocou
tudo sobre a bancada da cozinha. Abriu o armário, por cima da bancada, retirou
queques de chocolate, pão de forma embalado, bolachas de cereais. Arranjou uma
frigideira para fazer os ovos mexidos. Abriu o pacote do pão, ia começar a
fazer as sandes, quando escutou um grito.
Espevitou-se,
colocando todos os sentidos em alerta. Mas as sensações vieram baralhadas, como
uma nuvem de mosquitos.
Um segundo
grito e correu chamando:
- Ana!!
Alcançou a
escadaria, mas ao tentar subir os degraus embateu na parede. A escadaria tinha
mudado de sítio, balançava como se estivesse dentro de um navio em pleno oceano.
Trunks sacudiu a cabeça, admirado com a alucinação. Agarrou-se ao corrimão que
parecia gelatina, impulsionou-se para vencer dois degraus de cada vez e
espantou-se por sentir os pés afundarem-se numa coisa mole, um insuflável com
pouco ar. Algo acontecia, a casa derretia-se e havia no ar um zumbido
ensurdecedor. A visão periférica escurecia, entrava numa espécie de túnel. Voou
pelo corredor. Ao chegar à porta do quarto estacou por ver que ela não estava
ali.
- Ana? Onde
estás? Ana!
Continuava a
pisar coisas moles, mas via o chão como sempre fora, aparentemente duro, liso.
Encontrou pingos de sangue, franqueou a porta, estacou a seguir. O quarto
estava gelado, como o frigorífico da cozinha. Viu um buraco negro a girar como
um remoinho por cima da cabeceira da cama. E viu um trio de bichos negros
enfezados a fixá-lo com uns olhos vermelhos minúsculos. A sua força era
insignificante, mas as auras, tão negras como a pelagem, não adivinhavam um
confronto fácil.
Preparou-se
para lutar. E recordou que conhecia aqueles bichos.
- Na-nani?
O primeiro
bicho atacou, garras em riste. Afastou-o com um pontapé, este embateu na parede
do quarto, caindo inanimado. Esticou uma mão para fritá-lo com um disparo de
energia quando os outros dois bichos saltaram. Aproveitou a energia latente no
braço, recuou ligeiramente e, com um movimento rápido, enviou um par de potentes
raios azuis. Os dois bichos desfizeram-se em fumo.
O terceiro
bicho levantou-se e Trunks, sem sequer olhar, cortou-o ao meio com um pontapé à
retaguarda. O bicho também desapareceu numa nuvem de fumo.
O buraco negro
fechava-se. De algum modo sabia que a Ana se tinha sumido por ali e tentou
segui-la, mas o buraco fechou-se de repente. Trunks deu uma cabeçada na parede.
Atingiu-a com um soco, bradando:
- Ana!!!
O chão era
mole, mas a parede tinha uma consistência normal.
E continuava
sem perceber por que razão tinha acabado de lutar com kucris no seu quarto.
Sentiu uma
náusea, tinha as entranhas às voltas. Dobrou-se numa convulsão.
A temperatura
do quarto aqueceu de repente, passando do frio para um calor insuportável.
Começou a suar, reprimindo os vómitos. O zunido sumira-se, os ouvidos estavam
entupidos. Tateava furiosamente, de olhos fechados, o mundo das sensações e
conseguiu descobrir o ki dela.
- Ana…
Tornou a
socar a parede.
Depois,
reparou na mão, no braço que tinha acabado de socar a parede. Eram a sua mão e
o seu braço… Verdadeiros. O seu corpo… Era ele!
A Dimensão Z.
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