Kumis fechou
os olhos para rever mentalmente a localização da bola de dragão. Guiara-se até
àquele local pelo instinto que a magia de Zephir lhe conferira, as visões que
lhe tinham sido impressas a fogo na mente. Não conseguia pensar em mais nada até
que completasse a sua missão, começava a ficar irritado com aquele zunido persistente
e um demónio irritado era muito perigoso.
O rio
gorgolejava entre pedras e plantas, abrindo caminho através da floresta escura,
perdendo-se numa curva, precipitando-se numa cascata ruidosa ao fundo. As sombras
aquietavam-se, detendo qualquer marulhar que denunciasse o que eram ou o que escondiam
e apenas se escutava o curso de água, que não podia deter o seu caminho sedento
até ao mar longínquo. Porque as sombras se tinham apercebido da chegada dele.
A bola de
dragão estava no rio.
Mergulhou,
sem se deixar afetar pela água gélida. Nadou lentamente, parou ao alcançar um
tufo de algas fluviais. Afastou-as e descobriu a silhueta redonda da bola de
dragão. Passaria despercebida se não soubesse exatamente onde procurar, pois ao
longe não era mais que uma pedra com um formato invulgar. Agarrou na bola de
dragão e regressou à superfície.
O demónio
elevou-se no ar, encharcado. Observou a bola que acabava de recuperar para o
mestre. Era igual àquela que Zephir lhe tinha mostrado, com a única diferença de
esta ter mais estrelas. Três, contou-as.
Sorriu.
Rodeava-o um
silêncio sepulcral. A sua presença incomodava as criaturas vivas da floresta,
percebia-lhes o medo. Vibrou com essa sensação, soltou uma gargalhada. O zunido
do seu cérebro calou-se e ele sentiu-se mais distendido, solto, aliviado, liberto
de um peso que lhe esgravatara a alma com a voracidade de umas mandíbulas monstruosas.
Segundo as
ordens deveria regressar ao Templo da Lua logo que conseguisse uma bola de
dragão. Kumis aumentou a energia e desapareceu na noite.
Sem comentários:
Enviar um comentário