Kumis esquivara-se
dele pelas passagens infindáveis e escuras dos subterrâneos do Templo da Lua.
Goku seguira-o, não o atacara. Paciente, deixara-o escolher o local que mais
lhe conviesse para lutar. Uma pequena concessão, pois o combate iria ser
desigual, pressentira, pois as forças não eram comparáveis e haveria de
derrotar o demónio sem qualquer dificuldade.
Subiram, a
voar, o poço de uma escadaria estreita e alcançaram um pátio construído em
pedra negra que precedia o edifício principal. Passaram o muro que rodeava o
recinto. Então, o demónio dera-se por satisfeito e parara, suspenso no vazio
por cima do lago.
O som abafado
de uma explosão sacudiu um santuário que se encostava ao edifício principal. Um
pedaço enorme do telhado ruiu, esventrando a estrutura, as paredes encheram-se
de fendas. Pela energia libertada, Goku percebeu que fora Vegeta, percebeu que
estava transformado em super saiya-jin
e percebeu também que Julep tinha ficado em muito mau estado, pois o seu ki diminuía rapidamente.
Olhou para Kumis.
Mostrava-se confiante, provocante, exibia músculos grandes, mas era tudo
insuficiente se ele se transformasse em super
saiya-jin, como Vegeta. Disse:
- Antes de
começarmos, quero dizer-te que não estás à minha altura.
Kumis riu-se.
- O combate
ainda não começou. Guarda os teus juízos para depois dos primeiros golpes, Son
Goku.
- Tens a
certeza que queres lutar comigo?
- Porquê?
Estás com medo?
- Não quero
que tenhas surpresas desagradáveis.
- Sou o teu
inimigo, Son Goku. Sou um dos guerreiros de Zephir. Não me queres destruir?
- Zephir é o
meu inimigo.
- Vamos… Não
te acanhes comigo, Son Goku. Mostra-me o poder imenso de um super saiya-jin. Até poderá acontecer
que sejas tu a ter surpresas
desagradáveis.
- Acho que
não…
A petulância
do demónio desconcertou-o. Havia ali jogo escondido, pensou.
Guiado pelo
seu instinto e acedendo ao que lhe era solicitado, Goku transformou-se em super saiya-jin.
O primeiro
ataque coube a Kumis. O punho do demónio rasou a face esquerda de Goku, que
apenas teve de fazer um ligeiro movimento, inclinando a cabeça, para escapar
desse punho. Aproveitou o mesmo movimento, levantou o joelho e atingiu Kumis no
abdómen, que se dobrou para a frente, cuspindo saliva.
- Disse-te
que não estavas à minha altura.
E despachou-o
com um murro que fez o demónio afundar-se no lago. A água saltou com violência,
criando ondas enormes que desfizeram as margens. Um espírito familiar passou
atrás dele. Voltou instantaneamente a cabeça e reconheceu-o. Afastava-se rapidamente
a voar para ocidente, levava alguém nos braços. Era Trunks. Tinham conseguido o
que queriam, a rapariga da Dimensão Real e assim, o que tinham ido ali fazer
estava feito e já se podiam ir embora. Piccolo combatia nas entranhas do templo
e Vegeta tinha acabado de eliminar o outro demónio. O seu demónio jazia no
fundo do lago, que se agitava em remoinhos. Preparou-se para dar um sinal aos
amigos, para abandonarem o local, mas travou o gesto.
A água do
lago espirrou para todos os lados, como um tsunami
devastador. Goku apenas teve tempo para cruzar os braços diante da cara e
aparar o soco de Kumis. Não conseguiu aparar o pontapé que lhe esmagou as
costelas. Gritou com a dor, rodopiando pelo ar. Recuperou o equilíbrio.
Concentrou energia, sentiu o corpo estremecer com o ki gigantesco.
Kumis esticou
os dois braços e das mãos abertas saíram inúmeros raios amarelos. Goku executou
um bailado nos céus enquanto se esquivava dos raios, verificando, um por um,
todos os pontos fracos do demónio. Utilizou a supervelocidade e apareceu diante
do adversário, ameaçador, dentes apertados, olhar duro. O demónio, ofegante,
defendeu um soco, dois, mas levou com o terceiro. Goku afastou-se às arrecuas,
unindo as mãos à frente, levando-as atrás, gritando:
- Ka-me-ha-me…
Kumis olhava
para ele confuso e irritado.
Disparou:
- Ha!!!!!!
A onda
brilhante e azul sibilou pelos ares. Em pânico, o demónio esbugalhou os olhos,
levantou os braços. Goku observou os esforços patéticos para deter a Kamehame, mas a defesa estava
definitivamente anulada. A onda azul engoliu o demónio na sua luz, derrubou-o.
Desta feita, Kumis estatelou-se nas margens encharcadas do lago, junto aos
muros do templo.
O troar de um
rebentamento fez Goku voltar a cabeça para o complexo. Vegeta, outra vez… Achou
estranho. Quase que jurava ter sentido a aura de Julep fenecer até a um
perigoso mínimo, mas Vegeta continuava a lutar com Julep, que se apresentava
com a energia renovada.
Aterrou junto
ao corpo massacrado de Kumis.
- Vais pagar-me…
esta afronta… Son Goku – balbuciou o demónio, com os dentes tisnados de sangue.
Não se deixou
impressionar. A energia de Kumis escoava-se, desaparecia, chegava ao mínimo.
Não quis rematá-lo, não viu necessidade, Kumis estava derrotado. Voltou-lhe as
costas.
Mas Kumis
levantou-se, rugindo, apoiado nas pernas bambas. Concentrou o ki num único ponto do corpo, na mão
direita. Preparava uma resposta, utilizando as derradeiras reservas de energia
para atacar, mesmo que essa escolha implicasse drenar as forças que o mantinham
vivo, mesmo que o ataque fosse tão ridículo que significaria nada mais que uma
carícia para um super saiya-jin. Goku
não o deixou concluir o ataque desesperado. Atravessou-o com um tiro de energia
branca e faiscante.
O demónio
dobrou-se com um urro de raiva. Depois, silenciou-se e caiu pesado, sem vida,
na terra escura. Goku expirou o ar que guardara nos pulmões. Voltou-se para o
Templo da Lua. Piccolo continuava com os kucris, Vegeta com Julep. Trunks já
tinha percorrido metade do caminho até ao bosque sagrado de Karin.
E Zephir
escondia-se, num qualquer recanto dos subterrâneos, como um rato.
Deu três
passos.
Uma voz
gelou-lhe o sangue.
- O combate
ainda não terminou, Son Goku.
Girou sobre
os calcanhares. Exclamou incrédulo:
- Mas tu
estavas morto!
Kumis soltou
uma gargalhada demoníaca, que ressoou nos muros atrás deles. Não tinha qualquer
vestígio da ferida mortal que lhe abrira o peito segundos antes, apenas o
buraco nas vestes testemunhava o evento.
- Ainda não
sabias, Son Goku? Sou imortal – revelou trocista.
Goku percebeu
a razão do combate de Vegeta contra Julep ainda continuar, apesar das
quantidades de energia que o príncipe utilizava. Olhou para o Templo da Lua
apreensivo. As coisas não estavam a ser tão fáceis quanto julgara, havia
truques e detalhes a ultrapassar. Amaldiçoou-se por se ter esquecido, nem que
fosse por breves instantes, quando sentira que vencera, que lidava com magia.
Os ossos dos
dedos de Kumis a estalar puxou-o de regresso à realidade. O rosto tornou-se
duro.
- Continuamos
o combate?
A dureza do
rosto abriu-se num meio sorriso. Fez a terra tremer quando encheu os músculos
de energia, criando faíscas. O convite estava feito. Kumis aceitou-o, sem
hesitar.
Lutava com um
ser imortal, não sabia o que fazer para superá-lo, mas o desafio excitou-o.
Ninguém era imortal, nem mesmo Majin
Bu o fora, muito menos aquele demónio. Haveria certamente uma maneira de acabar
com ele para sempre.
Com um
sorriso de satisfação, Kumis deu um toque na argola dourada que usava na orelha
esquerda. O brinco tilintou. Goku investiu, punho em riste. Envolveram-se num
combate corpo-a-corpo, os golpes ressoavam na atmosfera com estampidos surdos,
vergando a vegetação à beira do lago, lançando vagas invisíveis de poder que
varriam a paisagem até ao horizonte.
Nisto, Kumis
afastou-se, voando. Goku foi no seu encalço, lançou um par de esferas luminosas
que o demónio defendeu com duas palmadas. Parou, de repente, a pairar sobre o
lago. Goku também parou. Viu-lhe os olhos hipnotizados.
- O que é que
se passa?
Os olhos
vermelhos do demónio recuperaram a fulgor diabólico.
- Mil
perdões, Son Goku. – Fez-lhe uma vénia trocista. – Gostaria muito de continuar
o nosso combate, mas terá de terminar. Continuaremos noutra ocasião.
- Nani? Porquê?
- Ordens do
meu sensei. Devo cumprir uma tarefa
urgente e não me devo demorar. O meu alvo já tem algumas milhas de vantagem.
- Do que é
que estás a falar?
Uma fina capa
cintilante de energia envolveu o demónio, antes de se impulsionar pelos céus,
furando nuvens e o próprio ar. O coração de Goku deu um salto. Rumava para
ocidente, pelo mesmo caminho que Trunks seguira, com a rapariga da Dimensão
Real.
O maldito
feiticeiro não perdia tempo.
Goku gritou:
- Volta aqui!
Umas mãos
fortes agarraram-se às suas pernas. Puxaram-no para baixo com um safanão
inesperado.
- Luta agora
comigo.
A rasar as
águas frias do lago, Goku levantou a cabeça para ver quem o atacava.
Era Keilo.
Sem comentários:
Enviar um comentário