1 de dezembro de 2012

Capítulo VII - VII.2 Reagir.


Trunks nunca tinha estado naquela posição e não sabia o que fazer. Tinha o cérebro embrulhado num nó tão grande que jurava senti-lo dentro do crânio, a provocar-lhe aquela monumental dor de cabeça, a empurrar a matéria cinzenta de encontro aos ossos, a impedi-lo de pensar.
Assentou as mãos na cómoda, as unhas arranharam a madeira, de dentes tão apertados que a dor da cabeça estendia-se aos queixos. Não reconheceu a cara transtornada que viu no espelho.
Ele nunca tinha estado no patamar de baixo, numa situação inferior, empurrado para um canto, relegado para segundo plano, entregue a um papel secundário, de mero espetador, ignorado, desprezado. Decidira sempre o seu destino, com toda a segurança e presunção, fora sempre o dono da peça e o diretor do jogo.
Pensou nela, na culpada por ele se encontrar naquele estado. Sabia que ela tinha arranjado alguém. Tinha um namorado, de certeza, que a afastava dele. Os ciúmes enfureceram-no ainda mais. Não suportava imaginá-la com outro. Era impossível que ela se tivesse apaixonado por outro rapaz.
Espremeu o crânio, para extrair, pelas orelhas, o terrível nó que o agoniava. Rugiu com a dor que lhe esgravatava as entranhas e que o asfixiava. Não aguentava mais, sentia-se a arder e prestes a explodir. Quase a transformar-se em super saiya-jin. Olhou para a cómoda, o objeto mais próximo da sua fúria. Enfiou-lhe um pontapé com toda a força e abriu-lhe um buraco no centro. A cómoda desconjuntou-se, as gavetas resvalaram umas de encontro às outras.
Teria de reagir.
Não conseguiria viver com aquele nó dentro do crânio.
Ele quis falar com ela, naquela tarde, mas ela não o quisera escutar. Até conseguia compreender as razões dela, mas ele queria dar-lhe um presente, algo que nunca dera a ninguém daquela dimensão. Estava preparado para lhe revelar a sua verdadeira identidade, pois já tinha enterrado o Tiago. Mas ela rejeitara-o sumariamente e enfiara-lhe aquele nó no crânio.
Fechou os olhos. Ela não queria, mas iria escutá-lo, nem que fosse à força. Não a iria perder, não tolerava essa amputação no orgulho. Era com a Ana que iria interagir e seria ela que o salvaria, ou que o condenaria, mas seria com ela, porque a Ana era dele e não aceitava partilhá-la com mais ninguém.
Abriu a porta com brusquidão. Se hesitasse, desistiria.
Se hesitasse, nunca mais se livraria daquele nó.
Ao sair do quarto, encontrou a irmã no corredor. Fingiu não a ter visto e correu para as escadas, deslizou pelos degraus. Bra espreitou o quarto e desatou a correr na direção oposta, a gritar:
- Okaasan! O nii-chan destruiu a cómoda!

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