Não havia
muita claridade nos subterrâneos do Templo da Lua e a pouca que havia enganava
o menos avisado. As sombras eram esquivas e irreais, ocultavam medos e coisas
tenebrosas que assustavam qualquer guerreiro empedernido.
Vegeta estacou.
Só os olhos se moviam. Aguardou calado, analisando as sombras que troçavam
dele. Disparou um raio azul que falhou o alvo. O demónio apareceu após a
explosão.
- Segue-me, saiya-jin.
Julep
desapareceu numa esquina. Contrariado, Vegeta seguiu-o. Aquela perseguição
pelos subterrâneos estava a enervá-lo. No início, tinham trocado alguns golpes,
mas era evidente que o demónio fugia dele. Tinha-se apercebido da diferença de
poder e receava-o. O que era mais do que ajuizado, pensava Vegeta impaciente.
Assim que apanhasse o demónio iria matá-lo sem contemplações. Precisava matar
alguém naquele dia.
Chegou a um
santuário. Era uma sala ampla e escura onde brilhavam milhentas velas em nichos
escavados nas paredes. Junto ao teto via-se uma cintura de orifícios redondos
por onde passava a luz do dia, que não chegava a ser suficiente para cortar a
penumbra. Num dos extremos situava-se um altar de pedra e, por cima do altar,
um enorme disco de mármore branco com estranhas inscrições.
Vegeta encarou
Julep. Sorria-lhe, o imbecil, de punhos assentes nas ancas, como se troçasse
dele, como se pudesse sequer troçar dele. A energia que lia no demónio era
ridícula. Derrotá-lo seria uma brincadeira. Fez um movimento, rodando
ligeiramente o corpo e Vegeta avisou-o:
- Lutamos
aqui.
Julep arqueou
um sobrolho.
- Estás na
minha casa. Eu digo onde iremos combater. Vamos lá para fora.
- Obriga-me a ir lá para fora.
Vegeta
transformou-se em super saiya-jin. Não
iria simplesmente matar o demónio, iria pulverizá-lo. Tinha estado reprimido
durante demasiado tempo, nove meses na Dimensão Real, aqueles minutos em que
tinha regressado à Dimensão Z da pior maneira possível. Era uma necessidade
quase vital descarregar a tensão acumulada.
Julep apertou
os dentes. Com um berro, inflou os músculos de força, o torso dobrou o tamanho.
Investiu com sanha, mas a investida era ridícula para um super saiya-jin e Vegeta sorriu. Sem apagar o sorriso enviesado,
esquivou todos os golpes.
Viu a falha
clamorosa no ataque, desfechou um potente murro, Julep caiu para trás. Tentou
levantar-se imediatamente, para recuperar a posição atacante, o sangue escorria
do canto da boca, mas Vegeta não ia desperdiçar a ocasião. Não lhe deu tempo,
não haveria de dar nada àquele maldito demónio. Esticou o braço, uniu os dedos
da mão e gritou:
- Big Bang Attack!!!
A descarga de
energia rebentou no sítio onde Julep se contorcia, ainda a tentar levantar-se. O
choque da explosão sacudiu os alicerces do santuário, rachou as paredes, um
pedaço do teto abateu e um raio de luz branca entrou naquela sala mórbida. A
maior parte das velas caíram dos nichos e apagaram-se, o altar fendeu-se e o
disco de mármore partiu-se aos bocados.
O fumo e a
poeira assentaram. Vegeta recolheu o braço, apertou os punhos, lançando um
olhar severo ao adversário. Julep estremeceu, moribundo. Tinha múltiplas
feridas, o sangue misturava-se com as queimaduras.
- Acabemos
com isto – disse o príncipe num tom áspero.
Atingiu o
demónio com uma segunda descarga de energia, mais controlada. Julep
estrebuchou, em convulsões, até que se quedou inerte.
Vegeta
fungou, cuspiu para o lado. Fora demasiado fácil e não entendia por que razão
Trunks, ou Son Goten, não tinham acabado com os demónios na primeira vez que
ali tinham estado. Malditos rapazes universitários, que não estavam em forma e
que apreciavam alongar demasiado o prazer do combate. Dirigiu o olhar para o
buraco que se abrira no teto, detetando a aura de Kakaroto que combatia com o
outro demónio.
No entanto,
deteve o salto. Havia movimento atrás de si, um resfolegar. Virou-se e a
surpresa atordoou-o. Recuou um passo, fincando os pés, numa posição defensiva.
- Nani?! Ma… Masaka!
Julep
sorria-lhe, sem qualquer marca dos ferimentos. Contou-lhe a verdade, saboreando
cada palavra:
- Não sabias,
saiya-jin? Eu e o meu irmão temos um
segredo. Somos imortais.
Apagou o
sorriso, o rosto pálido tornou-se rígido e frio, como pedra polida.
- Vais pagar
o que me fizeste.
Foi a vez de Vegeta
sorrir, enquanto tentava, furiosamente, encontrar uma solução, a melhor
estratégia para matar um ser imortal. Atirou, cheio de bravata:
- Estás a
combater contra um super saiya-jin.
- Super saiya-jin, estás a lutar contra um demónio imortal.
- Se for
preciso matar-te cem vezes… – Criou na mão aberta, voltada para cima, uma
esfera azul. – Matar-te-ei cem vezes!
- Cem vezes
não são suficientes… super saiya-jin!
Vegeta
atacou, enviando a esfera azul.
O santuário
tremeu. E o combate recomeçou.
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